[[legacy_image_136406]] Será realizado nesta sexta-feira (24), entre 7h e 10h, o velório do jornalista e professor aposentado Dirceu Fernandes Lopes. Ele morreu na última quarta-feira (22), aos 81 anos, em Santos, após lidar com complicações de saúde devido a um AVC sofrido em 2018. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Logo após o velório, haverá o sepultamento do corpo de Dirceu, no Cemitério da Filosofia, no Saboó, também em Santos. Dirceu, que foi docente da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e da Universidade de São Paulo (USP), deixa a mulher, Terezinha Tagé, e o filho, Diogo. Referência na profissão, ele formou centenas de jornalistas na Baixada Santista e em São Paulo e trabalhou em diversos jornais, incluindo A Tribuna. Nela, recebeu o prêmio Saturnino de Brito de Jornalismo com a série de reportagens Velhice, em 1978. Horas após a morte, o filho Diogo foi às redes sociais e fez uma extensa homenagem ao pai, lembrando de sua inegável vocação para o Jornalismo que o acompanhou por toda a vida. “A melhor maneira de escrever sobre o falecimento de Dirceu Fernandes Lopes e se aproximar do que seria um bom relato sobre essa notícia seria da mesma maneira que faziam seus alunos de Jornalismo. Pegaria uma folhas de papel, daquelas onde seus alunos da UniSantos digitavam numa máquina de escrever. E concluído, certamente levaria o texto ao meu pai, o próprio Dirceu, para a sua análise imaginando se ele iria gostar”, destacou em trecho de postagem no Facebook. O repórter-fotográfico de A Tribuna Matheus Tagé, que é sobrinho de Dirceu, destacou a referência “tanto do ponto de vista acadêmico quanto profissional”. “A paixão dele pelo Jornalismo tinha uma força que fazia com que sentíssemos sempre a certeza no caminho. Ele enxergava a profissão de forma pragmática, como um meio capaz de mudar a sociedade, revelar as injustiças e ajudar quem mais precisa”. Amigos e alunos lamentamQuem conviveu com Dirceu nas redações ou em sala de aula também lamentou a morte. O jornalista e professor Eron Brum foi um deles. “A característica principal dele era ajudar as pessoas. Sempre preocupado com calouros e colegas de modo geral. Sempre disposto e aberto às novidades. Fomos colegas por muitos anos”. O jornalista Clóvis Vasconcellos, que foi seu aluno, disse que Dirceu foi “um segundo pai na vida profissional e pessoal. Forjou centenas de jornalistas na região. O melhor professor que já vi, um apaixonado por ensinar e um amigo incomparável”. O também jornalista, escritor e fotógrafo José Carlos Silvares, que trabalhou com Dirceu em A Tribuna e produziu com ele a série A Velhice, se diz grato por tudo o que aprendeu. “Haveria muito a falar do mestre, do inspirador, do motivador, do colega que ajudou a tantos alunos e jornalistas, às vezes com aguda sinceridade, mas sempre com a generosidade do incentivo”. CarreiraDirceu Fernandes Lopes nasceu em 20 de outubro de 1940, em Santos. Graduou-se na Escola de Jornalismo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos (UniSantos), em 1966, e mestrado e doutorado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), na década de 1980. Lecionou, na UniSantos, disciplinas como Jornalismo Impresso, Redação e Edição e Técnicas de Comunicação. Na USP, Edição de Jornais e Revistas e Jornalismo Interpretativo. Além de A Tribuna, foi repórter do jornal Cidade de Santos, da Folha de S.Paulo e de O Globo. Em A Tribuna, uma de suas reportagens mais marcantes foi a série A Velhice, assinada por ele, Eron Brum e José Carlos Silvares, com fotos de Eunísio Goulart e Cândido Gonzalez, vencedora do prêmio Saturnino de Brito. O texto relatava as dificuldades de se chegar à velhice, desde a falta de trabalho até o despreparo do poder público e das famílias para lidar com os idosos. As mazelas sociais e as reportagens de impacto sempre estiveram na pauta de Dirceu. Ainda em A Tribuna, descreveu as condições precárias do presídio de Santos, com o título O Cárcere, em 1974, questionou a situação dos indígenas, em Índio é Gente, de 1980, e a violência contra a mulher, em Mulheres Espancadas, de 1981. Nos 127 anos de A Tribuna, em 26 de março de 2021, o filho Diogo lembrou o que Dirceu disse a uma aluna, estudante de Jornalismo. “Não estou preocupado em formar jornalistas, estou preocupado em formar seres humanos que possam se indignar com a realidade, e com isso, provocar mudanças. Sou um idealista, essa é minha utopia. Ser jornalista é toda uma conscientização do mundo”.