[[legacy_image_294128]] Um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que o Estuário de Santos é um dos locais mais contaminados por microplásticos do mundo. Diante desse lixo que se espalha e chega aos rios, a solução já começa pela conscientização e passa pela educação. E aí vem a importância da coleta seletiva, que precisa cada vez mais ser ampliada. Na Baixada Santista, dois projetos dedicados à preservação ambiental chamam atenção. Pâmela Pereira de Araújo, técnica ambiental do Núcleo de Defesa Ambiental e Educacional Entre Rios (ONG Nudaer), e Taiane Andrade, analista de contas, falaram sobre o tema. A ONG Nudaer é responsável pelo Projeto Guará Vermelho. A gente sabe que em Cubatão o guará-vermelho desapareceu na época que a cidade foi conhecida como vale da morte. Depois houve toda uma recuperação ambiental e ele é sinônimo disso. Pâmela: O guará é símbolo de recuperação ambiental, Cubatão é a única cidade do País que tem esse símbolo de recuperação ambiental concedido pela ONU. Quando se fala de Cubatão, se fala do guará-vermelho, até por conta do manguezal. Então, escolhemos essa espécie justamente para tê-lo como bioindicador da saúde do mangue. A gente viu que existe um balanço da ONG Nudaer de que foram recolhidas nove toneladas de lixo só nesse trabalho que vocês vêm realizando. Em junho, por exemplo, foram mais de 3 toneladas. Parte desse material é reciclado, mas não é um valor muito pequeno?Taiane: A gente encontra muito desses materiais contaminados por estarem em contato com a maré. Então, nem todo o lixo que a gente coleta é reaproveitado, somente 20%. O que mais impressiona é que grande parte é contaminada, não é? Pâmela: Sim, por vários fatores. Por conta da lama, o manguezal é um ecossistema que faz a absorção, tem muita bactéria presente também, então, às vezes, o isopor que a gente encontra é resto de marmita, tem os vestígios de alimentos. Tudo isso dificulta quando se vai fazer a limpeza do material para reciclagem. A gente sabe que vocês têm essa preocupação de fazer a limpeza dos rios, esse cuidado com o meio ambiente, mas além disso vocês levam essa preocupação para dentro de escolas, realizando palestras com crianças. Como é feito esse trabalho? Taiane: A gente está desenvolvendo na Emei São Paulo, em Cubatão, uma atividade com crianças de 4 e 5 anos do Ensino Infantil. Eles desenvolvem a parte da conscientização com as pedagogas do nosso projeto e a reciclagem. A gente consegue trazer alguns materiais que a gente coleta. A gente faz toda a higienização e esse trabalho com as crianças, mostrando a elas que o que a gente consegue tirar do rio pode ser reaproveitado, virar um brinquedinho e usar a imaginação. Eles acabam aprendendo se divertindoPâmela: Tem também algumas ações que fazemos ali no Jardim Casqueiro. Nós trazemos as pedagogas, trabalhamos ali com as crianças, lógico que com toda segurança, com os pais presentes, e elas também aprendem na prática como funciona a coleta, desde o início até o fim, quando se transforma em um brinquedo. A gente vê muita falta de consciência ambiental. Como reverter essa situação? Taiane: O projeto trabalha bastante essa parte de conscientização e leva isso para a população. A gente conta com as palestras, usa bastante a parte didática, e faz apresentações. Vocês disseram que desde o início do projeto foram quase 9 toneladas de lixo recolhidos, mas apenas 20% são recicláveis. É um bom sinal isso, de certa forma? As pessoas estão tendo um pouco mais de consciência? Pâmela: Sim, é um bom sinal, até porque existem tecnologias para fazer essa limpeza, só que elas ainda não estão acessíveis, por isso que nós vemos empresas que já fazem a coleta do lixo no mar e transformam em outros produtos.