[[legacy_image_107569]] Os empréstimos para pessoas físicas e empresas ficaram mais caros com a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), imposta pelo Governo Federal e que começou a valer no último dia 20. Isso quer dizer que usar o limite do cheque especial, parcelar a fatura do cartão de crédito ou financiar um imóvel, por exemplo, passaram a pesar mais no bolso, já que são operações de crédito. Como a medida vale também para as empresas, que precisam de empréstimos para fazer investimentos, economistas avaliam que o aumento do IOF será repassado aos produtos. Significa que as compras dos brasileiros devem ficar ainda mais caras, elevando a inflação que já acumula alta superior a 10% nos últimos 12 meses. A combinação de maior endividamento das pessoas e empresas com mais inflação pode criar um cenário crítico para a economia do País, dizem os especialistas. A alíquota anual do IOF passou de 3% para 4,08% para pessoas físicas e de 1,5% para 2,04% para pessoas jurídicas. A intenção do Governo é manter esse reajuste até 31 de dezembro para arrecadar mais de R\$ 2 bilhões extras. Veja mais no quadro, clicando aqui Análise“O aumento do IOF vai encarecer o custo do empréstimo, principalmente para as empresas que utilizam capital de terceiros como capital de giro. Isso afeta a economia, pois o aumento do IOF é repassado para o custo e para o preço final dos produtos, o que pode aumentar a inflação”, afirma o especialista em Direito Tributário Welinton Mota, diretor da Confirp Consultoria Contábil. Ele acha que a medida também deve inibir a tomada de empréstimos para as pessoas físicas. Para a especialista em mercado financeiro e investimentos Ale Boiani, CEO do 360iGroup, grupo especialista em saúde financeira e planejamento, sempre que o Governo repassa a falta de dinheiro ao consumidor, com aumento de impostos, a economia é afetada. “A pessoa que está pedindo crédito, usando o cheque especial ou atrasando a fatura do cartão já está descapitalizada. Aumentar os impostos encarece ainda mais a dívida, aumenta o nível de endividamento do brasileiro, que já é bastante alto. Percentualmente falando, (de 3% para 4,08%) é um aumento de quase 40% na taxa final”. No caso das empresas, diz ela, “afeta diretamente a antecipação de recebíveis, o que acaba gerando aumento no custo final (dos produtos)”. O economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos, acredita que a alta do IOF fará com que as pessoas revejam planos de financiamento. “Muitos vão pensar duas vezes antes de pegar um empréstimo, financiar um imóvel, um carro, fazer compras de longo prazo”. Carvalho ressalta a dificuldade dos empresários de fazer investimentos, pagando uma conta maior com empréstimos. “O empresário, fatalmente, vai passar esse aumento do tributo para o produto final. É tudo que a gente não quer: alta dos preços. Já temos uma alta inflação e isso está afetando muito o bolso do consumidor. Vamos passar tempos de mais restrições”. O economista Paulo Dantas da Costa, do Conselheiro Federal de Economia (CFE), afirma que a mudança só favorece o Governo Federal e gera aumento das despesas de pessoas físicas e jurídicas. “O IOF tem uma ampla base de incidência, que envolve diversas operações financeiras, de crédito, câmbio, seguros e títulos e valores imobiliários. O conjunto dessas quatro modalidades dão seu alcance. Não há dúvida que ocorrerá impacto na economia”.