[[legacy_image_212633]] Alberto Mourão (MDB) está longe de ser inexperiente na política. Com cinco mandatos à frente da Prefeitura de Praia Grande e duas eleições para deputado federal — a primeira, há 24 anos, em 1998, ele retorna à Câmara apostando no entendimento regional para buscar soluções definitivas para problemas antigos. Estimular questões de mobilidade, saúde e de retomada econômica estão entre as pautas. Confira trechos da conversa com A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O senhor e Paulo Alexandre Barbosa chegam ao Congresso como prefeitos há até pouco tempo. Qual o tamanho dessa vantagem?Pelo ponto de vista de moderação, de responsabilidade, o parlamentar que já foi prefeito tem um senso crítico mais apurado. De fazer a análise conjuntural. Eu e o Paulo saímos agora, em 2021. Automaticamente, sei das demandas locais que eu tinha na minha cidade e não conseguia resolver porque eram demandas estruturais, de Estado e Governo Federal. Sei que, para solucionar , preciso atuar nessa peça de engrenagem que não está funcionando. É assim que vou tentar agir. O senhor já destacou, em outras ocasiões, a importância de pensar regionalmente. Hoje, a (prefeita de Praia Grande) Raquel Chini (do PSDB), que é ligada ao senhor, preside o Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista). Como vê isso? Quando a Raquel me falou que foi sondada para ser presidente, me perguntou como as coisas teriam que acontecer lá. Disse que o que esperariam dela é a visão metropolitana. Mas é algo difícil, uma construção grande, gradativa. Para mim, falta cultura metropolitana para todos nós. O senhor disse que seu foco era voltar a atenção do Estado à questão econômica, mas com olhar social. Que tipo de ações concretas podem ir nesse sentido? A gente precisa estimular atividades econômicas para a região. Mas, quando a gente olha para o Parque Industrial de Cubatão, estamos subutilizando aquele espaço. A antiga Cosipa, hoje Usiminas, não usa 80% do seu espaço para atividade produtiva. A gente precisa pensar no que fazer com aquilo. Os governos Federal e do Estado têm que ter interesse em um lugar que já está impactado do ponto de vista ambiental, com sete píeres de atracação, que recebe três navios por semana — poderiam ser sete, ou até 14 —, usar aquele espaço territorial para fazer novas atividades complementares, que possam alavancar a economia. É uma discussão que precisa ser feita. O turismo poderia ser esse elo de integração local, com ganhos econômicos e sociais?Devemos discutir de forma sistêmica. Não posso trazer para cá navios que embarcam 1,2 milhão de pessoas, e o que se usufrui daqui? (O viajante) Embarca e vai embora. Queria que essa pessoa ficasse três dias, mesmo antes de embarcar, ocupasse hotéis, fizesse passeios a lugares onde dá para fazer turismo ecológico ou de aventura. Tudo isso pode ser vendido em pacote. Há outros aspectos que podem ser abordados para a reconstrução econômica?Quando você fala em matriz econômica, temos a siderurgia, polos petroquímico e portuário. Se consigo tirar (o projeto de) Andaraguá (do papel), a gente tem a criação de 15 mil empregos. Quando você reorganiza o Porto, para que seja um indutor da economia regional e não apenas passagem de entrada e saída de produtos no País, você gera emprego também. Será que não está na hora de colocar uma ZPE (Zona de Processamento de Exportação), como vocação de produzir, receber a matéria-prima secundária, seja local ou importada e, aqui, produzir e já exportar? Quero fazer o Governo pensar um pouco em nós. A mobilidade urbana é um fator importante para essa integração regional. Tem a questão do VLT e a do BRT. Como o senhor pode contribuir para essa expansão deslanchar?O Governo do Estado deu ordem de serviço para fazer a contratação do projeto básico executivo e, então, fazer o processo licitatório. O governador que vai entrar não deve parar um projeto dessa envergadura. Mas também não tem dinheiro para ele, vai depender de Brasília. É importante que a gente trabalhe para ter um plano de expansão do transporte coletivo de massa. Por isso que você tem que discutir VLT e BRT. O Litoral Sul é a região da Baixada com menor orçamento e a que requer mais intervenções dos deputados, com emendas e outras ações. Como vai ser esse olhar para esses municípios no seu mandato?Quando eu falo de se ter uma visão metropolitana: quando você ajuda a Prefeitura de Peruíbe a custear o seu hospital; a de Mongaguá a abrir outro, de 50 leitos, que está fechado há mais de oito anos; e a tirar o São José (em São Vicente) de 200 leitos parados e colocar para funcionar, já está se falando em 350 leitos. É algo que ajuda Praia Grande e Santos também. Com esses leitos operando, tira pressão do sistema, e os hospitais das outras cidades passam a operar um pouco mais para a sua população. Com a votação expressiva de deputados mais conservadores, é natural que as chamadas pautas de costumes ganhem grande espaço no dia a dia da casa. Como o senhor pretende lidar com isso?Essas chamadas pautas de costumes são colocadas até como bode expiatório, para tirar o foco dos problemas estruturantes. Quando quero sair da discussão, procuro algo para colocar na pauta, e a gente não discute déficit público, Educação... Quero saber porque tiraram verba da contratação de médicos, da compra de remédios essenciais, da casa popular. Não podemos nos tornar reféns disso no Congresso. O senhor também tem uma trajetória no PSDB. Como vê o momento do partido, especialmente após o primeiro turno?O partido definhou pelas brigas internas, pela falta de um processo mais democrático de discussão interna. A gente precisa amadurecer a estrutura política do Brasil. Vão sobrar 13 partidos agora, porque muitos terão que se fundir porque não atingiram a cláusula de barreira. Isso vai gerar mais discussão interna, que passa a ser pragmática. Outro tema que dominou a eleição foi sobre as emendas do relator, o chamado “orçamento secreto”. É um instrumento válido?Precisamos saber, de forma transparente, onde vai se gastar esse dinheiro. Não existe “orçamento secreto”. Cadê a Constituição, que diz que a transparência é a base da administração pública? Não entendo isso. Seguiu o princípio constitucional da impessoalidade ou não? A gente precisa discutir o Orçamento público de forma mais objetiva, com foco. Mas sem deixar o aspecto social. Não pode meia dúzia ficar bem, com o crescimento da economia, e o resto ficar mal. Uma de suas pautas é a questão da segurança. Como o senhor pretende atuar nesse âmbito?A questão não é apenas a segurança ser ostensiva, mas fazer esse trabalho regional, integrar os sistemas de monitoramento, para vetar a vinda do cara que vai roubar carga, roubar e furtar carro, para as pessoas terem mais segurança local. Isso cria um ambiente de segurança regional, onde você atrai mais gente para investir. (...) Também é estratégico do ponto de vista turístico. No discurso a apoiadores, no domingo, o senhor enalteceu muito sua esposa, Maria del Carmen Mourão. Qual o papel dela?Não há dúvida de que ela tem sido uma mulher fantástica, uma parceira de anos. Ela não se mete em costuras políticas, mas aceita que eu faça política. O senhor, nas duas outras eleições (1998 e 2014), saiu na metade do mandato para ser prefeito de Praia Grande. É algo que pode se repetir dessa vez?O tempo é que diz. Deus que é destino da verdade, do nosso futuro.