[[legacy_image_322992]] O ano de 2023 se encerrou com uma quantidade de chuva em Santos dentro da prevista e da média histórica. Segundo dados totalizados pela Defesa Civil do Município, com base na Estação Pluviométrica instalada no Saboó, foram 2.359,3 milímetros (mm), menos do que em 2022, de 2.863,8 mm. A média da última década é de 2.673,3 mm. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda sob o efeito do El Niño, este mês deve ter chuvas intensas, mais do que a média, e a preocupação de quem trabalha com prevenção é exatamente esta: a concentração de chuva intensa em períodos curtos. O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na sua porção equatorial. Ele ocorre em intervalos irregulares de cinco a sete anos e tem duração média que varia entre um ano e um ano e meio, com início nos últimos meses do ano. Lembrando 2020“O problema não é tanto a totalização pluviométrica do ano, mas quando chove muito forte em poucos dias”, confirma o coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias. Foi essa concentração intensa em curto período a responsável pela tragédia no início de março de 2020. Naquele ano, choveu, em fevereiro, 916 mm, para um mês com a média de 290 mm em Santos. Em março, 954 mm, quando a média é de 300. Naquela ocasião, deslizamentos ocorreram na Baixada Santista, especialmente em Santos e Guarujá, com um total de 45 mortos na região. “Os eventos extremos de chuva concentrada têm sido mais frequentes, e é isso que preocupa. Como ocorreu também no Carnaval do ano passado, em São Sebastião. O que choveu naquele momento representou um terço do que estava previsto para o ano todo. Esses eventos têm sido mais recorrentes e são os que preocupam bastante”, afirma Daniel Onias. Para o coordenador, os efeitos do El Niño, que são normais e previsíveis, têm sido potencializados pelas mudanças climáticas verificadas nos últimos anos. “Como estamos sob a influência do El Niño desde o inverno, com muita chuva no Sul e pouca chuva no Norte e no Nordeste, temos visto no Sul situações bastante graves, que não ocorriam há décadas, porque, além de as águas do Pacífico Equatorial estarem mais quentes, também o Atlântico está mais aquecido. Então, o El Niño chega em um momento em que o planeta está mais quente, e tudo fica mais potencializado”, resume. Onias menciona que o ano de 2020 foi um ponto fundamental para os órgãos públicos agirem, tanto municipais quanto estaduais e federais. “Muitas obras foram feitas nas áreas de maior risco de deslizamento de terra, mas também se intensificou o controle de invasões de áreas irregulares, encostas de morros incluídas. A Defesa Civil do Estado também vem fazendo um trabalho intenso.” TemperaturaEstudo conduzido pela Unifesp-Baixada Santista e publicado em abril em uma revista científica mostrou que os picos de calor e frio e os eventos extremos têm sido mais frequentes em toda a costa brasileira, incluindo a região, como consequência direta das mudanças climáticas. Os estudo aponta as regiões Sul e Sudeste como mais afetadas que as Norte e Nordeste. Para chegar a essa conclusão, foi avaliada uma série histórica, com dados de temperatura do ar observados a cada hora do dia ao longo dos últimos 40 anos em cinco regiões costeiras do País: São Luís (MA), Natal (RN), São Mateus (ES), Rio Grande (RS) e Iguape, no Vale do Ribeira. No período, a ocorrência de eventos extremos de temperatura quase dobrou em São Paulo (84%) e quase triplicou no Espírito Santo (188%).