[[legacy_image_319727]] As expectativas de setores do comércio para o Natal, celebrado na próxima semana, são boas, mas com ressalvas. Para o setor de hotéis, bares e restaurantes há animação com a data, que prevê boa ocupação hoteleira e um alto número de reservas nos bares e restaurantes. Por outro lado, o comércio varejista vê o feriado como uma aposta para aumentar o número de vendas, que está em baixa. “Estamos apostando todas as fichas neste Natal, porque o segundo semestre é sempre melhor em vendas do que o primeiro, e neste ano, ele não foi”, explica Omar Abdul Assaf, presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sincomércio). Segundo Assaf, o programa Desenrola, do Governo Federal, foi um dos fatores que resultou na queda de vendas no segundo semestre deste ano. “Apoiamos o programa, mas ele tirou muito dinheiro da economia. As pessoas que estavam devendo renegociaram suas dívidas, mas tiveram que desembolsar e continuam desembolsando mês a mês esses valores”, esclarece. Apesar da baixa, há um otimismo no comércio varejista, ainda que tímido. “A expectativa é que esse consumidor que limpou seu nome possa voltar a comprar tranquilamente agora para o final do ano”, afirma o presidente do Sincomércio, que diz que o setor espera atingir um aumento de 3% nas vendas em relação ao segundo semestre do ano passado. A esperança é mantida viva pelo recebimento da segunda parcela do 13º salário, que via de regra acontece até o dia 20 de dezembro. Hotéis, bares e restaurantesNo setor de hotéis, bares e restaurantes, por outro lado, a expectativa é de bons números para esse período do ano. “Cerca de dez anos atrás, o Natal era muito mais fraco, tinha cerca de 50% do movimento do Réveillon, e isso vem mudando. Claro que o Natal ainda não chega perto do Ano Novo, mas os números hoje são satisfatórios”, diz Heitor Gonzalez, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sinhores). “Muitos bares e restaurantes acabam abrindo no Natal, coisa que não se pensava tempos atrás. Alguns abrem nos dias 24 e 25, outros escolhem um dos dois dias, e o movimento tem sido muito bom”, complementa Gonzalez. Para esta reta final de ano, o sindicato espera que o setor hoteleiro da região chegue próximo à ocupação máxima. Já os bares e restaurantes, na noite de Réveillon, devem ter entre 70% e 80% de reservas feitas. “Nenhum final de ano tinha chegado perto do Réveillon de 2019 para 2020. Para este, de 2023 para 2024, há a expectativa de o movimento ser 5,5% melhor do que a última virada de ano pré-pandemia”, afirma o presidente do Sinhores. PanificadoresO otimismo sentido pelos empresários do setor de hotéis, bares e restaurantes é compartilhado pelos panificadores. Segundo Antonio Pires, presidente do Sindicato das Padarias da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sinaspan), a previsão é de crescimento. “As padarias têm se fortalecido muito na questão das ceias de Natal a cada ano, e já está tendo muita procura, o que reforça o nosso otimismo”, afirma. Conforme Pires, as padarias da região registraram um aumento de 12% na comercialização de produtos natalinos, em comparação com o ano anterior. Esse crescimento, ainda segundo o presidente do Sinaspan, ajuda a alavancar as vendas nas panificadoras, as quais devem crescer em 8%, comparadas com as de dezembro do ano passado. Consumidor deve ter atençãoO consumidor, no entanto, deve ter a atenção redobrada com as compras nesta época de Natal, de acordo Ranieri Cecconi Neto, advogado e especialista em Direito do Consumidor. “Para compras em lojas, não se pode esquecer que a maior garantia do consumidor é sempre a nota fiscal”, afirma o advogado, que explica que a nota fiscal é a melhor maneira de provar o que foi comprado e de como foi comprado. “Comprovantes de cartão de débito ou crédito também são muito úteis e, quando as compras forem feitas por pagamentos eletrônicos, é importante salvar o comprovante dos pagamentos”, acrescenta. O advogado recomenda, também, que o consumidor tenha atenção ao realizar um pagamento parcelado. Assim, é possível evitar cair no que ele chama de “armadilhas de juros embutidos ou disfarçados”, que são diferentes do que a oferta apresenta. Os cuidados devem ser ainda maiores ao fazer compras pela internet. “Cada dia mais se multiplicam as mais variadas formas de golpes e fraudes na internet”, afirma Cecconi. De acordo com ele, deve-se desconfiar de produtos cujos preços estejam muito abaixo da média de mercado, além de links patrocinados de redes sociais. “Comprar de grandes lojas e marketplaces consagrados é provavelmente a menor chance de problemas”, recomenda. Outra recomendação de Cecconi vale tanto para compras em lojas físicas quanto pela internet: é o cuidado para não se endividar. “Exagerar nas compras pode fazer a alegria de um momento se transformar em pesadas e longas tristezas mais a frente, com dívidas que podem causar vários prejuízos na vida”, adverte.