[[legacy_image_279969]] Presidente da Associação Japonesa de Santos, Sadao Nakai conta como os imigrantes nipônicos chegaram e se instalaram em Santos. Nakai também fala sobre a história da entidade, que foi criada informalmente como uma sociedade de imigrantes japoneses. A Associação Japonesa de Santos tem um levantamento de quantos imigrantes japoneses existem na região?Não temos esse censo, mas há uma estimativa. O último dado que temos é de 1943, quando todos os japoneses tiveram que sair da cidade. Esse dado indica que 12 mil pessoas faziam parte da Sociedade Japonesa de Santos. Santos tem 430 mil pessoas; entre os descendentes de japoneses que ainda mantêm o sobrenome japonês e uma quinta geração que já miscigenou e cujo sobrenome não remete mais ao sobrenome japonês, eu acredito que tenhamos entre 5% e 10% da população da cidade. Estamos fazendo um trabalho de busca ativa dos descendentes dos imigrantes. No dia 21 de junho, entregamos 170 diplomas às famílias que foram fazer a busca de sua ancestralidade e remeteram à Associação Japonesa de Santos o nome do imigrante e o seu grau de descendência. O Porto de Santos foi a entrada dos primeiros imigrantes japoneses. Quais memórias e fatos marcantes você pode trazer daquela época?Os relatos que existem da época falam do contraste cultural. Os imigrantes tiveram a preocupação de ter um comportamento exemplar, para serem bem recebidos. Por isso, eles vieram bem vestidos, com roupas sociais. Desceram aqui com disciplina, com ordem. Isso é o que marcou, a partir de relatos de funcionários do Porto de Santos. A Associação Japonesa de Santos já existe há algum tempo, mas antes era uma sociedade. Como ela funcionava? Como ela surgiu?A Sociedade Japonesa de Santos teve um início informal pelos imigrantes que voltaram dos contratos e se radicaram na cidade de Santos. Oficialmente, existe a aquisição do imóvel da Rua Paraná, 129, Vila Mathias. Naquele momento, eles tiveram que constituir algo juridicamente para ter uma certificação de imóvel e uma sede organizada. Oficialmente, a Sociedade Japonesa de Santos teve um registro formal em 1928, ou seja, 20 anos após a chegada da primeira leva de imigrantes. No período da Segunda Guerra Mundial, houve um grande prejuízo aos imigrantes japoneses, como o impedimento do ensinamento da língua japonesa, e a associação também foi prejudicada. Como foi essa época?Foi um momento muito ruim na história da imigração e dos imigrantes, principalmente os que já estavam aqui. Assim que o Governo Vargas tomou posição na Segunda Guerra, foi feito um decreto de evacuação do Litoral de São Paulo em 24 horas. No dia 8 de julho de 1943, todos os japoneses do Litoral de São Paulo tiveram que sair das suas residências. Eles receberam uma notificação um dia antes, que dizia que no dia seguinte eles tinham que estar na estação do Valongo para pegar o trem e sair. Você é neto do primeiro presidente da Associação Japonesa. O que você lembra que seu avô contava sobre aquela época?Minha memória lembra uma foto do undokai de 1952. O undokai é uma festividade que reúne toda a família de japoneses. Foi exatamente para retomar o undokai que meu avô, junto com os imigrantes que faziam parte da extinta Sociedade Japonesa de Santos, se reuniram para retomar as atividades informalmente. A formalidade passou a ser dos filhos de japoneses. Os filhos de japoneses, por exemplo, também em 1952 começaram a fazer um time de futebol no Bairro da Ponta da Praia, que oficialmente em 1957 ganhou um CNPJ para ter uma sede própria e reuniu as famílias dos descendentes. E aí foi formado o Estrela de Ouro, certo?Os garotos precisavam escolher o nome do time, e como eram da Ponta da Praia, a primeira ideia foi Estrela do Mar. Os mais empolgados diziam que o mar está próximo, enquanto o céu, a estrela de ouro, está muito longe, então tinham que buscar o que é mais difícil. Daí surgiu o nome Estrela de Ouro.