A frota de veículos da Baixada Santista cresceu em mais de 80 mil unidades nos últimos cinco anos e se aproxima da marca de 900 mil. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) mostram que os nove municípios somavam 885.800 veículos ativos em agosto de 2026, contra 805.208 em 2021 – alta de 10%. O crescimento foi puxado, principalmente, pelos veículos de duas rodas. O número de motocicletas, ciclomotores e motonetas passou de 244.577 para 287.550 no período. São quase 43 mil unidades a mais, avanço de 17,6%. Já a categoria que reúne automóveis, utilitários, caminhonetes e camionetas cresceu em ritmo menor, de 497.437 para 532.833 veículos, aumento de 7,1%. Para o especialista em Trânsito e Mobilidade Urbana Rafael Pedrosa, o avanço da frota, principalmente de motocicletas, tem uma explicação multifatorial. Entre os fatores estão as mudanças econômicas e no mercado de trabalho ocorridas nos últimos anos, além dos reflexos deixados pela pandemia. Segundo Pedrosa, mudanças de residência associadas ao trabalho remoto também contribuíram para um maior fluxo populacional em direção à Baixada Santista, com reflexos sobre a quantidade de veículos que passaram a circular permanentemente pelas cidades da região. “Muitas pessoas tiveram mudança de residência em adaptação ao home office, e isso desencadeou uma busca maior por veículos. Também impactou no fato de a nossa região passar a estar mais habitada. Houve um fluxo populacional que se deslocou para a Baixada Santista e, com certeza, trouxe consigo veículos que passaram a circular de forma fixa na região”, explica. Praia Grande puxa crescimento Praia Grande teve o maior aumento em números absolutos. A frota saltou de 140.618 para 172.802 veículos, acréscimo de mais de 32 mil unidades, ou 22,9%. Proporcionalmente, Bertioga liderou: passou de 26.497 para 34.158 veículos, crescimento de 28,9%. Mongaguá aparece na sequência, com alta de 19,6%, seguida por Peruíbe, com 14,7%. Guarujá e São Vicente também ampliaram suas frotas em 10,8% e 9,2%, respectivamente. Itanhaém registrou crescimento de 7,5%, enquanto Cubatão teve alta de 6,1%. Pedrosa avalia que o aumento da quantidade de veículos está relacionado também às dificuldades enfrentadas nos deslocamentos urbanos. Nesse cenário, parte da população teria buscado meios próprios de transporte para reduzir o tempo gasto nos trajetos diários. “Registramos, por conta desse adensamento populacional e do crescimento da frota, uma perda de mobilidade urbana. Diante disso, a população reagiu buscando meios próprios para seus deslocamentos diários, diante da ausência de uma política de transporte coletivo que pudesse se mostrar eficiente e com um custo-benefício adequado”, analisa. Para o especialista, porém, a opção pelo transporte individual acaba alimentando um ciclo que pressiona ainda mais o sistema viário. “Além de não resolver o problema da mobilidade urbana, isso trouxe um crescimento muito grande para a frota”, diz. (Reprodução) Santos vai na contramão Santos foi a única cidade a apresentar redução. Mesmo mantendo a maior frota da região, passou de 219.712 veículos em 2021 para 218.041 em agosto deste ano, queda de 0,8%. A Cidade, porém, acompanhou o avanço das duas rodas. Motocicletas, ciclomotores e motonetas aumentaram de 57.571 para 59.588. Já o grupo de automóveis, utilitários, caminhonetes e camionetas caiu de 139.527 para 135.935. Na região como um todo, a frota cresce ano após ano: passou de 805.208 veículos, em 2021, para 871.508 em 2025 e chegou aos atuais 885.800. Crescimento exige ações para reforçar segurança O crescimento das motocicletas chama atenção não apenas pelos impactos na mobilidade, mas também pela segurança viária. O especialista em Trânsito e Mobilidade Urbana Rafael Pedrosa destaca que motociclistas estão mais expostos em caso de colisões e que o aumento da circulação desses veículos exige ações específicas do poder público. “Precisamos ter um cuidado especial com as demandas por segurança no trânsito que esse adensamento de veículos, em especial das motos, nos traz. É um veículo muito mais desprotegido em sua estrutura física e, com isso, os acidentes muitas vezes levam a consequências mais graves para seus condutores”. Ele lembra que os impactos não ficam restritos aos motociclistas e podem atingir pedestres, ciclistas e os demais usuários das vias. Para ele, o cenário reforça a necessidade de combinar fiscalização, orientação e educação para o trânsito. “É necessário um trabalho de base com educação de trânsito, medidas de orientação e reforço do respeito à legislação. São iniciativas que precisam partir dos órgãos de trânsito e do poder público de maneira ampla”, diz. Pedrosa defende ainda que as políticas de mobilidade e transporte coletivo caminhem junto com ações voltadas à redução dos acidentes. “Precisamos equilibrar a questão da mobilidade urbana com uma política de transporte público coletivo eficiente, mas, acima de tudo, com segurança para que todos possam ir e vir e para que tenhamos um ambiente menos hostil no trânsito, vitimando muito menos pessoas”.