Chegada do fenômeno El Niño pode elevar as temperaturas na Baixada Santista e no restante do Brasil no outono e no inverno (Alexsander Ferraz/ AT/ Arquivo) O frio que vem predominando no litoral de São Paulo e em grande parte do Centro-Sul do Brasil nas últimas semanas pode começar a perder força. A explicação está no avanço dos sinais de formação do fenômeno climático El Niño no Oceano Pacífico Equatorial, que tende a elevar as temperaturas e reduzir a influência frequente das massas de ar polar sobre a Baixada Santista e o país. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com análise da meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, o litoral de São Paulo ainda deve enfrentar dias típicos de outono no fim de maio, com muita nebulosidade, chuva ocasional e temperaturas mais amenas. Até o final do mês, não há expectativa de calor intenso na Baixada Santista. Segundo a meteorologista, os últimos dias de maio podem ter períodos maiores de sol, mas ainda sob influência de ar polar. “Na Baixada Santista, e em todo o litoral de São Paulo, uma temperatura de 30°C em maio, junho ou julho já é considerada bastante elevada. Temperaturas entre 33°C e 35°C nesta época são raras”, explica. O cenário atual é resultado da sequência de massas de ar frio que avançam pelo Centro-Sul do Brasil durante o outono. Essas massas ajudam a manter as temperaturas mais baixas, especialmente porque os dias ficam mais curtos nesta época do ano. Enquanto isso, no Centro-Norte do País, o comportamento é diferente. Estados das regiões Norte e Nordeste, além de partes do Centro-Oeste, continuam registrando tardes naturalmente quentes, com máximas acima dos 30°C, devido à menor ocorrência de chuva e maior presença de sol. El Niño ganha força Os sinais de formação do El Niño ficaram ainda mais fortes nas últimas semanas. Um relatório divulgado pela NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, elevou o status do monitoramento para “alerta de El Niño”, indicando que o fenômeno está próximo de ser oficialmente confirmado. Atualmente, a região Niño 3.4, principal área monitorada para identificar o fenômeno, apresenta aquecimento de +0,4°C, acima da média, muito próximo do limite de +0,5°C necessário para caracterizar oficialmente o El Niño. As projeções da NOAA indicam 82% de chance de o El Niño surgir entre maio e julho de 2026, além de 96% de chance de atuação do fenômeno entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Segundo o Climatempo, o cenário mais provável é de um El Niño forte, embora ainda não haja confirmação de que ele possa atingir intensidade comparável aos chamados “super El Niños”, como os registrados em 1997/98 e 2015/16. Quando o frio deve diminuir? Embora os primeiros efeitos do El Niño possam começar a aparecer ainda durante o inverno, os impactos mais significativos sobre o clima brasileiro costumam ocorrer entre a primavera e o verão. Na prática, isso significa que o padrão atual de frio frequente provocado pelas massas de ar polar tende a perder intensidade gradualmente, principalmente a partir de setembro. O fenômeno do El Niño altera a circulação atmosférica global e costuma favorecer temperaturas mais elevadas no Sudeste e no Centro-Oeste, além de reduzir a regularidade das frentes frias mais intensas. Caso as previsões se confirmem, o Brasil poderá enfrentar um cenário semelhante ao observado durante o El Niño de 2023/2024. No Sudeste e Centro-Oeste, a tendência é de temperaturas acima da média e períodos mais secos, especialmente durante a estação chuvosa. Já a região Sul costuma registrar chuvas acima da média durante episódios do fenômeno. Nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño pode favorecer estiagens mais severas e calor intenso. Além disso, especialistas alertam que o fenômeno também costuma aumentar a ocorrência de ondas de calor e elevar o consumo de energia elétrica, devido ao uso maior de aparelhos de refrigeração e ar-condicionado. O El Niño de 2023/2024, por exemplo, provocou recordes de temperatura no Brasil e elevou a preocupação com os reservatórios hidrelétricos, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.