Dependendo da barraca e da qualidade do produto, nesta terça (7), alface custava de R\$ 2,50 a R\$ 5,00 a unidade em Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) A chegada do inverno e as frequentes chuvas têm mudado a rotina de quem trabalha na feira livre da Rua Oswaldo Cruz, no Boqueirão, em Santos, no litoral de São Paulo. Além da redução no movimento de consumidores, feirantes relatam aumento no preço de parte dos legumes, queda na procura por frutas e mudanças na oferta de hortaliças típicas da estação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem foi à feira nesta terça-feira (7) de manhã encontrou, por exemplo, pés de alface por valores entre R\$ 2,50 (na promoção de duas unidades por R\$ 5,00) e R\$ 5,00 cada, dependendo da barraca e da qualidade do produto. A batata e a cebola eram vendidas por R\$ 7,99 o quilo. A feirante Karen Yumi Katoka, de 32 anos, afirma que “não é só o frio. Tem chovido muito na Baixada Santista, e o movimento caiu bastante porque não tem turista. Conforme o frio vai chegando, o pessoal não quer comer fruta”, relata. Segundo ela, apesar de o inverno ser a época das frutas mais doces, a procura diminui significativamente, o que aumenta as perdas. “Muita mercadoria se perde. A gente corta melancia, e o pessoal não quer levar.” Karen conta que as frutas são compradas diretamente em São Paulo, o que permite oferecer preços mais competitivos. E há produtos com forte variação. “O morango é um exemplo. Na semana passada, a caixinha estava sendo vendida por R\$ 25,00. Agora, está R\$ 12,00”. Apesar disso, estima que as vendas tenham caído cerca de 50%. Hortaliças O feirante André Aniceto, de 50 anos, explica que o inverno favorece algumas hortaliças. “Estamos na época da couve-flor e do brócolis ninja. Então, eles ficam mais em conta.” Ele afirma, porém, que a alface demora mais para crescer por causa das baixas temperaturas. Mesmo assim, manteve o preço da unidade entre R\$ 5,00 e R\$ 6,00, alegando que produtos vendidos por valores muito inferiores costumam ter qualidade menor. Subindo Responsável por uma barraca de batatas, cebolas, ovos e alho, o feirante Fabrício dos Santos, de 42 anos, afirma que os legumes aumentaram de preço. “A batata subiu e não abaixa. A cebola também está em alta porque acabou a safra importada e, agora, entrou a cebola nacional”, comenta. Segundo ele, o saco de batata de 25 quilos, que antes custava de R\$ 60,00 a R\$ 80,00, passou para valores entre R\$ 130,00 e R\$ 140,00. Quanto à cebola, cada saco, que custava entre R\$ 70,00 e R\$ 75,00, agora sai de R\$ 95,00 a R\$ 110,00. Na banca, o quilo saltou de R\$ 5,99 para R\$ 7,99. Mesmo com os reajustes, Santos afirma que a procura continua. “O pessoal faz caldo verde e outras receitas típicas do frio.” Questão não é preço, mas o público Para o feirante Márcio de Oliveira Rocha, de 51 anos, o principal problema não é o preço, mas a diminuição do público. “A chuva não deixa o povo vir para a feira. As senhorinhas, que são as principais clientes, acabam ficando em casa”. Segundo ele, o inverno também coincide com as férias escolares, o que contribui para baixar o movimento. Rocha declara, ainda, que muitos comerciantes acabam reduzindo as equipes durante o período de menor faturamento e, por isso, há, até, quem perca o emprego. O feirante Matheus Marques, de 23 anos, explica que o comportamento dos preços depende do tipo de alimento. “As hortaliças de folha costumam ficar mais baratas no inverno porque crescem melhor com temperaturas mais baixas”. Ele cita como exemplos espinafre, agrião e hortelã. Marques acrescenta que a feira ainda sente reflexos da pandemia de covid-19, com perda de aproximadamente 35% da clientela. Também há a concorrência de vendedores de hortifrútis e de serviços de entrega.