A criação do Parque Palafitas, no Dique da Vila Gilda, é uma das ações que a Cidade de Santos está levando a Nice, como solução habitacional em ambiente costeiro e de mangue (Sílvio Luiz/AT) A elevação do nível do mar, o aquecimento e a acidez dos oceanos, a frequência cada vez maior de eventos extremos do clima e a necessidade de criar uma rede mundial de troca de experiências e de apoio mútuo são temas que vão reunir, neste sábado (7), em Nice, na França, centenas de cidades costeiras do mundo, Santos incluída. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O evento Ocean Rise, da Coalizão para a Resiliência Costeira, é uma iniciativa de Nice e da Plataforma Oceano & Clima. Antecede a 3ª Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC3), da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa segunda-feira (9), também em Nice. O principal objetivo do Ocean Rise é lançar essa coalizão de cidades costeiras que já sofrem com a elevação do nível do mar, reunindo representantes eleitos e autoridades de cidades e regiões costeiras, bem como de Estados insulares ameaçados pela subida do oceano. O evento visa a apoiar essas cidades na adoção de transformações para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças do clima e que afetam mais diretamente as regiões costeiras. Geobags de areia, na Ponta da Praia, podem ser replicados em outros municípios que enfrentam ressacas (Alexsander Ferraz/AT) Ronaldo Christofoletti, professor da Unifesp Baixada Santista, especialista em Cultura Oceânica e representante da Unesco no Brasil para a Década do Oceano, explica os objetivos do encontro: troca de práticas e experiências entre as cidades, com intercâmbio de soluções, compartilhamento e uso de dados científicos relevantes, mobilização de financiamentos para ações e reforço da representação e da liderança das cidades e regiões costeiras em fóruns políticos, conferências internacionais e cúpulas, garantindo que suas necessidades e desafios sejam adequadamente considerados nas decisões globais. “O Brasil tem muito a contribuir porque várias frentes já vêm sendo criadas e que podem servir de modelo”, diz. A disseminação da cultura oceânica e a relação mais próxima da comunidade acadêmica com a mídia são algumas dessas práticas bem-sucedidas. O especialista, que está em Nice, também destaca os modelos de financiamento que vêm sendo criados no Brasil e que atrelam recursos de institutos e fundações a projetos e programas com participação da ciência. “Ciência, governos e financiadores devem estar juntos.” Santos participa Santos estará presente no Ocean Rise. Para Gabriel Miceli, secretário adjunto de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, “há muitos pontos em comum entre cidades costeiras do mundo que já enfrentam os efeitos da subida do oceano e das mudanças climáticas”. Ronaldo Christofoletti, da Unifesp (à esquerda). Miceli, da Prefeitura de Santos (à direita) (Alexsander Ferraz/AT e Reprodução/Facebook) Para o fórum de Nice, Miceli leva experiências que podem ser replicadas em outros países, como a construção de casas no projeto Parque Palafitas, no Dique da Vila Gilda, e os geobags de areia implantados na Ponta da Praia para reduzir o impacto das ressacas na infraestrutura. “Ainda estamos longe de virar o jogo, mas enxergo de forma otimista o movimento de consci-entização que vem crescendo na sociedade. Se colocarmos mais energia nesse despertar de consciência, acho que podemos colher bons frutos.”