Formação incluiu técnicas de preparo, precificação, empreendedorismo e inteligência emocional. Cerimônia ocorreu no dia 21, em Santos (Divulgação) Emoção, orgulho e novas perspectivas marcaram a cerimônia de formatura do Projeto Força da Maré, no auditório da Associação Comercial de Santos. Cerca de 20 mulheres ligadas à cadeia da pesca na Baixada Santista receberam os certificados do curso de Salgados Congelados de Pescados, em uma celebração que simbolizou mais do que o encerramento de uma capacitação: representou novos caminhos de autonomia financeira, pertencimento e valorização da cultura pesqueira da região. Ao longo de 40 horas de aulas presenciais, divididas em módulos técnicos e práticos, as participantes aprenderam técnicas de preparo, precificação, empreendedorismo e inteligência emocional. A formação foi ministrada pelo Senac e pelo Sebrae, com aulas realizadas na Casa da Mulher de Santos, equipamento da Prefeitura. O projeto Força da Maré foi desenvolvido por meio de uma parceria entre Edge — empresa do grupo Cosan —, Senac, Sebrae, Casa da Mulher de Santos e da Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos. Segundo a gerente executiva institucional e ESG da Edge, Patricia Cevilaro, a iniciativa nasceu da escuta das necessidades da própria comunidade. “Sempre fazemos projetos junto à comunidade, faz parte da atuação da Edge a escuta ativa da comunidade para construirmos projeto. Essa foi a primeira turma e, pelo sucesso e pela receptividade, devemos ter outras. A parceria com Sebrae, Senac e Prefeitura foi muito importante e, agora, esse curso também entra para o portfólio do Senac.” O foco no empreendedorismo feminino também foi destacado pela gerente do Sebrae na Baixada Santista, Patricia Ovalle. “Trabalhamos no fortalecimento das mulheres como empreendedoras. Desenvolvemos um curso com a linguagem para esse público e suas necessidades, trabalhando também a inteligência emocional.” Para a secretária municipal da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, o contato com a Casa da Mulher fortalece o sentimento de pertencimento e autonomia. “Elas puderam conhecer tudo o que a Casa da Mulher oferece como equipamento, desde apoio jurídico, social e psicológico até nossa cozinha-escola. Sempre com o objetivo de dar autonomia e segurança a elas”, salientou. Entre receitas e recomeços Na cerimônia, o brilho nos olhos e os canudos nas mãos revelavam novos sonhos sendo desenhados. Entre abraços, fotos e aplausos, muitas participantes falaram sobre o impacto da experiência não apenas na vida profissional, mas também na autoestima. Para muitas delas, o impacto do curso já começou a aparecer na prática. Helenilde Pereira Santos conta que incorporou as receitas aprendidas ao próprio negócio. “Já coloquei várias receitas que aprendi no meu bufê. As empadinhas de bacalhau e salmão estão fazendo sucesso.” Além da possibilidade de ampliar a renda, o projeto também despertou nas participantes o desejo de compartilhar o conhecimento nas comunidades onde vivem. Eline Gomes, integrante da ONG Gerando Amor, no Dique das Caixetas, em São Vicente, destacou a importância da formação para quem já atua próximo à realidade da pesca. “Achei muito interessante por trabalhar com peixe e ter todo esse conhecimento de preparação. Pretendo multiplicar esse conhecimento”. A convivência entre mulheres de diferentes locais e trajetórias também foi apontada como um dos pontos mais marcantes da experiência. Moradora de Morrinhos, em Guarujá, Elenilda Barbosa ressaltou a identificação criada durante as aulas. “Gostei das aulas e da troca com outras mulheres que também fazem parte da realidade da pesca.” Helenilde Barbosa, da Vila dos Pescadores, afirmou que um dos principais aprendizados foi entender como transformar habilidade em negócio. “Aprendi a cobrar pelos produtos, além de conhecer os trabalhos e o atendimento da Casa da Mulher, onde ocorreram as aulas.”