Na manhã desta terça-feira (26), do lado de Santos, a espera para atravessar era de 50 minutos; ficava pior a partir de Guarujá: 70 minutos (Alexsander Ferraz/AT) A cena caótica não é novidade para os moradores da Baixada Santista. Mais uma vez, os usuários do sistema de travessia de balsas entre Santos e Guarujá enfrentaram transtornos e longas filas de espera para utilizar o serviço. Na manhã desta terça (26), a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil) estimava um tempo de espera de 50 minutos do lado santista da travessia e de 70 minutos no Guarujá. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A previsão foi semelhante ao informado no dia anterior, mas usuários do sistema relataram para A Tribuna uma espera de até quatro horas. A analista administrativa Luciana Brites foi uma delas. “Ontem (segunda-feira) foi apavorante. Ficamos das 16h45 até as 20h35 na fila para fazer a travessia, com minha mãe de 72 anos no carro, e sem poder desligar o veículo, porque estavam roubando celulares dos carros parados”, relata a moradora de Cubatão. O objetivo era aproveitar a folga do trabalho para levar a idosa e a família para um passeio na Praia do Guaiúba, mas a diversão virou pesadelo. Quem também passou por transtornos foi a jornalista Ariany Ferraz, de Campinas, que veio aproveitar as férias na Baixada Santista e saiu no prejuízo: precisou desembolsar R\$ 130,00 para chegar até Guarujá pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni. “Depois de quatro horas de estrada, precisava ir para o Guarujá e a previsão era de 50 minutos só para pegar a balsa, fora o tempo de travessia”, conta. “Optei por pegar um táxi indo pela rodovia, que aparentemente é um trajeto mais longo, mas foi o percurso mais rápido”. Ironicamente, a jornalista conta que escolheu esta data para visitar a Cidade por ainda ser época de pré-temporada, com fluxo de pessoas menor. Atraso no trabalho Quem depende do serviço todos os dias também foi afetado: a fiscal de contabilidade Ketellin Christine, moradora do Guarujá, trabalha em Santos e enfrentou o caos dos últimos dias. “Um descaso total com quem depende do transporte para chegar no trabalho, e hoje me atrasei por conta disso, mesmo saindo de casa com antecedência”, desabafa. Ketellin relatou ter sido informada que o problema foi provocado pela maré, mas afirmou ter visto apenas uma balsa funcionando. “A maioria dos dias é estressante, fora que a desorganização é de deixar a pessoa nervosa”, diz. A situação precária na época de pré-temporada acende um alarme: o que espera a Baixada Santista nos próximos meses? A Tribuna entrou em contato com a Semil para questionar sobre os planos para a operação neste fim de ano, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Segundo o Departamento Hidroviário, duas balsas precisaram ser retiradas da travessia para manutenção (Alexsander Ferraz/AT) O que aconteceu? Porém, em entrevista à TV Tribuna, Agnaldo Gonçalves de Almeida Júnior, diretor técnico do Departamento Hidroviário (DH), vinculado à Semil, informou que o motivo do transtorno foi que duas embarcações entraram em manutenção corretiva no início da semana. A interrupção das balsas foi necessária, segundo ele, porque um dos motores da barca apresentou problemas. “Nós somos obrigados a parar o barco e observar aquilo que é feito”, diz. Agnaldo explica haver situações em que é possível seguir a operação com o motor ‘alarmado’. Porém, desta vez, o sistema de propulsão começou a não apresentar as condições de rotação adequada para a navegação segura. “Até porque, nós fazemos a travessia no meio de um volume diário representativo de navios, e a travessia tem que ser feita com a maior segurança possível”. O diretor técnico do DH informou que a previsão para normalização da operação, com as sete barcas em navegação, é na sexta-feira. Ele também adiantou que na próxima segunda-feira, uma nova embarcação totalmente reformada deve integrar o sistema de travessia entre Santos e Guarujá.