[[legacy_image_58039]] Os pedidos de carro zero nas concessionárias da Baixada Santista chegam a levar até 90 dias para serem atendidos, segundo executivos do setor. O motivo do atraso são os componentes semicondutores, chip que transmite corrente elétrica para várias partes do carro. Com o avanço da tecnologia, e por haver cada vez mais dispositivos eletrônicos nos carros, a falta de chips se tornou um grande problema para o setor. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “As montadoras dependem dos fabricantes de autopeças e muitos não estavam preparados para a retomada da economia ainda durante a pandemia, tão rapidamente”, diz o diretor da Akta Motors, Gustavo Gotfryd. Segundo ele, a concessionária, que trabalha com Kia e Peugeot, tem algumas unidades para pronta entrega, mas o prazo médio é de 60 dias. O diretor da Chevrolet Absoluta, Ney Roberto Faustini, afirma que um pedido feito hoje tem entrega prevista para entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro. “E isso é porque meu estoque está mais confortável”, diz. De acordo com Faustini, a justificativa dos atrasos é a escassez global de peças, que atinge todas as marcas de veículos. No caso da GM, diz ele, os semicondutores são cruciais e enfrentam uma competição de mercado com outros produtos eletrônicos, como televisores, celulares e tablets, que aumentaram vendas durante a pandemia. O diretor da Jeep Colorado, Paulo Roberto Carvalho Batista Jr., afirma que algumas montadoras sofrem mais ou menos, conforme sua dependência das peças, como no caso do microchip (semicondutores). De acordo com ele, a espera varia de 30 a 60 dias. “O grau de importância da concessionária para a matriz também conta. Quanto maior aquela unidade na visão da matriz, mais prioridade na hora de receber as peças compradas”, diz. Segundo profissionais do setor, o problema não é tão simples de resolver e deve ainda se arrastar por alguns meses. Ao portal UOL, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que a crise de chips pode se alongar até o início de 2022, já que o semicondutor não é tão simples de fazer e sua produção está concentrada na Ásia. A falta de componentes já levou, até mesmo, ao fechamento de fábricas. No último dia 17, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) divulgou que a falta de componentes causou a paralisação da fábrica da GM em Gravataí (RS). O retorno da produção está previsto para 16 de agosto. Em maio, a produção de veículos cresceu 1% em relação a abril, mostrando estabilidade, segundo o site da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, a produção cresceu 55,6% em relação a 2020, no entanto, muitas fábricas pararam durante o período mais duro da quarentena. Os dados da Anfavea mostram que houve equilíbrio de produção, com média de 190 mil veículos por mês. Segundo a entidade, essa quantidade é suficiente para abastecer o mercado por apenas 15 dias. Outros fatores que prejudicam o setor são a alta do câmbio ao longo dos meses e o trabalho parcial das fábricas pelo mundo por conta da quarentena, segundo os executivos. A Tribuna procurou a Anfavea, que não respondeu. Confira mais em ATribuna.com.br: [[legacy_youtube_Hm477kDgsRc]]