[[legacy_image_129887]] Mesmo com a pandemia, o número de permissionários de feiras livres não se alterou, segundo dados da Prefeitura de Santos: permanecem os mesmos 243 nos últimos cinco anos, pelo menos. O que veio para ficar foi a mudança no comportamento. Intensificaram-se as entregas em casa e pagamentos realizados por meio do Pix. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Esta foi uma das adaptações que a feirante Heloísa Helena Guida Santos, de 70 anos, fez. No espaço há 58 anos, Heloísa vende todo tipo de frutas, todas bem frescas. A comerciante passou a receber pagamentos com cartão quando assim se tornou comum. Agora tem Pix, a transferência instantânea lançada pelo Banco Central e que caiu no gosto das clientes. Estes, em sua maioria, são muito fiéis e estavam ansiosos por poder voltar a frequentar um dos espaços mais democráticos que existem: a rua. “Não tem algo melhor que poder ir e ver o produto. Observar, tirar dúvidas, negociar. A feira tem que acontecer pessoalmente”, defende Heloísa. O comentário se dá por causa de outra novidade que surgiu ao longo da pandemia: o delivery. A entrega em casa foi necessária, principalmente, para os que não tinham condições de ir ao supermercado. “O delivery também me trouxe alguns novos clientes. Eles se mantêm, mas todos aqueles que puderam voltar a frequentar a feira o estão fazendo”, diz ela. Ir a pé ao local também é o que atrai a aposentada Iraci Souza de Assis, de 69 anos. Frequentadora “desde sempre” de feiras, ela compra frutas, legumes e muito peixe fresco. “Na pandemia, tive que me adaptar ao que dava, comprava algo no supermercado, mas acabei deixando de consumir muito do que sempre pego na feira. A alimentação fica mais variada quando se tem feira perto”, diz. Na barraca de Andreia de Paula, de 46 anos, temperos e ovos não faltam. Alguns novos clientes surgiram durante a pandemia e ficaram após o período com mais restrições. Nestes sete anos em que ela atua na feira, diz que o período foi o mais difícil. Também compara a compra presencial com a entrega em casa. “Aqui sempre tem mais clientes. O delivery ainda não dá lucro, ele só compensa a venda. A maioria das pessoas prefere comprar pessoalmente”, diz. Para ela, as mudanças, como acontece com os cartões, estão consolidadas. “Daqui por diante, não tem jeito: tem que aceitar Pix, cartão, vender em casa. As coisas mudam, e nós também”, considera Andreia.