[[legacy_image_333081]] Após a briga entre um consumidor e o dono de uma padaria em Barueri, na Grande São Paulo, viralizar nos últimos dias por acabar da delegacia, a Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp) decidiu alertar sobre o uso inadequado de notebooks, celulares ou tablets em ambientes gastronômicos. Para evitar novos conflitos, a principal orientação é que haja bom senso na utilização dos equipamentos, bem como nas restrições por parte dos estabelecimentos. O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, sugere aos clientes que verifiquem antes se o local escolhido é amigável ou não à prática de permitir o uso de eletrônicos para fins laborais. Se o estabelecimento apresenta limitações, segundo a Federação, o consumidor deve respeitar as normas, uma vez que esses ambientes são da esfera privada e podem ter regras próprias, desde que não infrinjam a lei. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), os estabelecimentos devem divulgar as orientações em local visível aos seus frequentadores, com direito a fácil entendimento e clareza. De acordo com Edson, a mensagem deve ser objetiva: “A realização de longas reuniões on-line e a maior permanência nos ambientes gastronômicos por força do trabalho remoto estão indo além do consumo in loco. Desde a pandemia da covid-19, a prática tem se tornado cada vez mais comum. Só que, em alguns casos, geram problemas, como o ocorrido há poucos dias em Barueri”. Para a Fhoresp, isso acontece porque, bares, restaurantes, cafés e padarias, normalmente, oferecem estrutura que comporta trabalho remoto, mesmo não sendo essa a finalidade. O diretor-executivo da Federação cita como exemplos o acesso gratuito à Internet, estacionamento, sanitários e energia elétrica para carregar baterias de eletrônicos. No entanto, esses serviços, que, no início, eram vistos como uma cortesia ao freguês, têm se transformado em transtorno para alguns estabelecimentos, por conta da utilização inadequada por parte de alguns consumidores, conforme aponta Édson. “Muitos dos clientes querem transformar os locais em verdadeiros escritórios particulares. Esta prática acaba por reter as mesas por tempo excessivo, e, muitas das vezes, sem consumo equivalente. Trata-se de conduta que impede a rotatividade de outros consumidores que desejam se alimentar”, esclarece. Conflitos mais comunsDe uns tempos para cá, a Fhoresp enfatiza sobre o surgimento de conflitos entre cafés, padarias, restaurantes e bares e os seus clientes, em relação ao uso da estrutura para fins comerciais ou trabalho remoto. Edson defende que, caso falte o bom senso entre as partes, os estabelecimentos podem adotar restrições, como impedir o acesso de Wi-Fi, não permitir o carregamento de baterias ou até cobrar valores adicionais ou consumo mínimo pela utilização da estrutura para esses fins. O diretor-Executivo da Fhoresp acrescenta, ainda, que essas providências são essenciais para evitar a pior alternativa: aumentar os preços do cardápio para prejuízos acumulados pelos estabelecimentos, o que, consequentemente, penalizaria todos os consumidores. “Para reuniões e ações relacionadas ao trabalho administrativo ou criativo, entendemos que os coworkings e os espaços públicos são os ambientes mais propícios. Vale lembrar que cafés, padarias, bares e restaurantes são empresas de alimentação, somente”, completa Edson.