Unidades de Defesa da Mulher em Praia Grande, com feminicídios recentes, fecham aos finais de semana (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) A Lei Maria da Penha e a tipificação do crime de feminicídio foram avanços na proteção a mulheres e na punição de agressores. Porém, dificuldades de acesso a serviços de denúncias e proteção desestimulam parte delas a buscar ajuda. Também é preciso que parentes e amigos estejam atentos e ofereçam ajuda a vítimas. Esses problemas levam a situações como as registradas em Praia Grande: três mulheres assassinadas em menos de uma semana — um casal achado morto no Ribeirópolis, na quinta-feira; uma morte a tiros na Vila Sônia, no sábado, e um espancamento fatal na Vila Tupiry, no domingo, Dia Internacional da Mulher. “Em Praia Grande, por exemplo, as DDMs (delegacias de Defesa da Mulher) não funcionam no final de semana, e a vítima acaba tendo de registrar o caso em uma delegacia de plantão ou de forma on-line. Quando a mulher sofre violência, ela busca acolhimento. Se não encontra esse suporte, acaba desestimulada a denunciar”, diz a presidente da Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Cidade, Lígia Gomes dos Santos. A advogada salienta que, geralmente, parentes e amigos das vítimas já tinham conhecimento de agressões anteriores. “É fundamental que todos estejam atentos. Se percebemos sinais de violência, precisamos nos colocar à disposição dessa mulher e oferecer ajuda.” Lígia orienta que violência física, psicológica, verbal ou patrimonial deve ser denunciada em canais como os telefones 190 e 180. Fortalecer a rede A delegada titular da DDM de Praia Grande, Lyvia Cristina Bonella, diz que a violência tem causas múltiplas, “mas fortalecer a rede de proteção certamente ajuda. A dependência emocional, muitas vezes, prende a mulher ao agressor”. Ao tratar dos três feminicídios recentes no Município, a delegada mencionou relatos de conflitos motivados por ciúme ou pela não aceitação do fim do relacionamento — sinais de machismo. “Acredito muito na educação, em rodas de conversa, conscientização (...). Mais oportunidades de trabalho, creches, inclusive noturnas. O foco seria fortalecer a mulher de todas as formas para que consiga encerrar o ciclo (de violência) com segurança.” A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) afirma que, das 142 DDMs paulistas, 18 abrem 24 horas. Há 173 Salas DDM, para videoconferência com equipes especializadas. Outra opção é o aplicativo SP Mulher Segura. Estatísticas Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado neste mês aponta que 270 mulheres foram mortas, no ano passado, no Estado. No País, 1.568 vítimas de feminicídio. Em janeiro, a SSP apontou 27 feminicídios no Estado. Na região, A Tribuna registrou seis: três em Praia Grande, um em São Vicente, um em Itanhaém e um em Santos.