[[legacy_image_10184]] Seguindo o que é observado no cenário nacional, a Baixada Santista registrou queda no número de matrículas nos cursos feitos pessoalmente e, ao mesmo tempo, mais inscritos na modalidade a distância. Dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado (Semesp) mostram que a região de Santos teve queda de 4,7% em matrículas no tipo presencial. No ensino a distância (EaD), alta de 27,2%. Os dados são referentes a 2017, em comparação com 2016. “Os números da Baixada Santista refletem uma tendência nacional, tanto no ensino presencial como a distância. No país, há um crescimento de matrículas no EaD e, praticamente, a manutenção ou pequena diminuição do alunado em alguns cursos da graduação presencial”, diz Lúcia Teixeira, vice-presidente do Semesp e presidente da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Segundo Lúcia, isso tem a ver com a situação do Ensino Médio no Brasil, cujas matrículas estão em declínio há alguns anos, por causa da queda na taxa de natalidade, a necessidade de alunos de trabalhar e dificuldades para concluir o nível médio de estudos. “Isso afeta diretamente a qualificação do trabalhador do país e a entrada na universidade brasileira, que precisa formar quadros de profissionais capacitados, para o País alcançar seu desenvolvimento”, afirma Lúcia. Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o Brasil precisa adotar políticas públicas capazes de induzir o crescimento da educação com a inserção dos jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior. “Precisamos, urgentemente, pensar em políticas públicas para a educação brasileira. Sem políticas públicas não haverá crescimento”. O diretor salienta que, nessas políticas, não se deve restringir o financiamento estudantil. Para atingir a Meta 12 do Plano Nacional de Educação, que é de elevar a taxa líquida de escolarização para 33% da população entre 18 a 24 anos, o país terá de inserir 3 milhões de jovens na graduação, calcula Capelato. “Hoje, de quatro alunos do [Ensino] Fundamental, apenas dois seguem para o Ensino Médio e, desses, somente um avança para o Ensino Superior”, lamenta. Preço menor e flexibilidade influem Os preços das mensalidades e a flexibilidade de horários fazem parte dos interessados procurar o ensino a distância (EaD) anos depois da formação no Ensino Médio, depois de colocados no mercado de trabalho ou ao mudarem de curso presencial. Dados do Semesp mostram que a maioria dos estudantes em cursos presenciais (59,5%) tem idade até 24 anos. A maioria em EaD (56,5%) passa de 29 anos. Em relação às mensalidades, a média nacional é de R\$ 1.380 entre os cursos presenciais de bacharelado neste semestre. Nas licenciaturas, de R\$ 846, e nos cursos tecnológicos, de R\$ 857. Entre os EaD, a média de preços dos cursos de bacharelado é de R\$ 502; nas licenciaturas, R\$ 431; e nos tecnológicos, de R\$ 412. “A demanda para os cursos em EaD é grande. São pessoas mais velhas, que estão no mercado e querem melhorar a empregabilidade. Fora isso, um decreto de maio de 2017 [que atualizou a legislação dos cursos EaD] fez com que a oferta de polos aumentasse 300%. Isso também provocou a queda no preço das mensalidades”, explica Rodrigo Capelato. O aumento dos polos, porém, acende uma discussão sobre a qualidade dos cursos a distância. Para Capelato, é importante discutir e garantir boa qualidade. “Também é fundamental verificar o Enade [Exame Nacional de Desempenho de Estudantes] do curso antes de ingressar e que o mercado não generalize. Mas existem cursos bons e ruins no EaD e no presencial”, adverte o dirigente.