[[legacy_image_243998]] Alunos da rede estadual de ensino e seus pais e responsáveis se preparam para o início efetivo das aulas, na segunda-feira (6). Na sexta (3) foram feitas reuniões, nas quais se apresentaram as diretrizes para o ano, integrando a comunidade escolar e conscientizando sobre os desafios da educação. Uma das preocupações é a evasão escolar, quando alunos deixa de frequentar as aulas por algum motivo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O dirigente regional de Ensino de Santos, João Bosco Arantes Braga Guimarães, esteve na Escola Estadual Olga Cury, na Aparecida, em Santos, e acompanhou as atividades. Para ele, todos os envolvidos no processo educacional devem se entrosar desde os primeiros passos do ano letivo. A diretoria compreende 80 colégios em quatro cidades (Santos, Cubatão, Bertioga e Guarujá) e atende cerca de 55 mil alunos. “A gente está recebendo muitos alunos nos primeiros anos, e também no Ensino Médio, como segundo e terceiro anos, que pedem transferência. Por isso, recomendamos aos diretores que, no primeiro dia de aula, houvesse uma reunião com os pais, com explicações sobre o regulamento das escolas e demais assuntos. Procuramos, ainda, um tempo para acolhimento”, explica. Segundo Guimarães, um dos compromissos para o novo ano letivo é acelerar a diminuição dos prejuízos provocados pela pandemia na relação de ensino e aprendizado. “Na época. foram calculados de cinco a oito anos de retrocesso. Porque alunos da primeira série dos anos iniciais, por exemplo, foram alfabetizados sem a presença de um professor na sala. Há um buraco de aprendizagem de quase dois anos.” O diretor lembra que as atividades de recuperação para os alunos não devem esperar o final do mês ou do bimestre. “A partir de agora, a recuperação seria iniciada na semana em que determinado conteúdo foi aplicado. As duas últimas aulas daquela semana seriam para isso”, exemplifica. Evasão escolar O dirigente também reconhece a preocupação com a questão da evasão escolar — segundo ele, a ampliação de um problema, o das faltas excessivas. A solução é a realização de buscas ativas com o máximo de rapidez e a compreensão dos motivos das ausências. “O professor deve observar aquele aluno que está faltando e iniciar busca ativa dentro daquela semana. Numa turma de 40, perceber que quatro ou cinco não têm ido à escola por dias seguidos. Precisa ir atrás, já começar a busca ativa. Cadê esse aluno? Por que faltou? Caso a escola não esteja atenta a isso, vai ter um aluno que começa a faltar uma semana, depois duas, três e, quando vai ver, a infrequência virou evasão. O aluno foi embora e não volta”, alerta. Uma das ferramentas que a Secretaria de Educação está criando a partir deste ano é chamada de BI, pela qual o professor vai fazer um controle diário dos seus alunos. Ele vai digitar no sistema a frequência dos alunos, e a Secretaria de Educação, por meio da Diretoria de Ensino e da unidade escolar, vai monitorar essas faltas. “Até o terceiro apontamento, a escola tem que entrar em ação.” [[legacy_image_243999]] Educação integral João Bosco Guimarães ressalta que um dos trunfos para a melhoria educacional é a adoção, pelas escolas, do Programa de Ensino Integral (PEI). Apesar do atraso para outros países latino-americanos, como o Chile, ele vê conquistas, desde que não seja apenas um aumento de carga horária para os alunos. “Hoje, o modelo das PEI nasce da manifestação da comunidade, um entendimento interno de que ela pode contar com Educação Integral. Os profissionais da educação precisam estar dentro da escola: diretor, vice, supervisor, todos voltados para a excelência acadêmica, ou seja, o sucesso de aprendizado do aluno”, reforça. Da escola pública para a faculdade de medicina O jeito tímido do rapaz não esconde a satisfação com o feito: a aprovação em Medicina na USP, a escolhida em meio a outras possibilidades, como cursos em Botucatu, São José do Rio Preto e Santos. É o impulso de que precisava para concretizar um sonho. “Sempre gostei muito de desafios. Da responsabilidade, ter que tomar decisões. E, na Medicina, você pode ajudar uma pessoa, salvar a vida dela. É por isso que fui me encantando”, resume. A trajetória, feita toda no ensino público — o último ano no próprio Olga Cury —, é ainda mais vitoriosa, diante das adversidades. “Ele aprendeu a ler sozinho. Sempre foi muito esforçado ao longo dos estudos. É um garoto de ouro. A felicidade não cabe no peito”, diz a mãe, Ana Paula Aparecida Mathias, médica recém-formada. A paixão que une mãe e filho também permite novos olhares sobre a profissão. “A maior parte da vida trabalhei com Enfermagem. Passo muita coisa para ele. Isso vai fazer diferença para ele enquanto profissional”, salienta.