Estudo foi realizado no Portinho, em Praia Grande, e no estuário santista (Divulgação) Um estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificou a presença de microplásticos no corpo de caranguejos na região do Portinho, em Praia Grande, e de mexilhões no Estuário, em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa, realizada por docentes e estudantes, começou no segundo semestre de 2023 e durou aproximadamente um ano. O objetivo foi quantificar microplásticos na água, no sedimento (material no fundo do mar) e no corpo de animais, além de identificar como a presença dessas partículas tem afetado a biologia marinha. O estudo avaliou três espécies de caranguejos no Portinho. Em todas elas foram encontradas altas concentrações de microplásticos. O caranguejo com o maior índice foi o Minuca rapax, com 175 fragmentos de microplástico por grama — um número 13 vezes maior do que o sedimento. Os pesquisadores da Unesp verificaram que os corpos dos animais contaminados por microplástico apresentaram processos inflamatórios em vários tecidos, além de respirarem menos. Já no Estuário, o animal analisado pelos pesquisadores foi o mexilhão perna-perna. Descarte irregular A bióloga marinha Alessandra Augusto, uma das responsáveis pela pesquisa, reiterou que a maior parte dos microplásticos presentes nas regiões analisadas é provocada pelo descarte irregular do ser humano. Os microplásticos estão presentes em produtos domésticos, embalagens de alimentos, fibras de roupas sintéticas, fragmentação de garrafas e degradação de plásticos maiores. A presença do microplástico nos animais marinhos pode afetar diretamente a população. Ao consumir um caranguejo contaminado, por exemplo, o ser humano ingere o microplástico. No cérebro Outro estudo do tipo, feito pela Universidade de São Paulo (USP) e divulgado no ano passado, mostrou a presença de fragmentos de microplástico no cérebro da população. A pesquisa foi realizada em Campinas e analisou o cérebro de 15 pessoas falecidas. Os estudos sobre o impacto do microplástico no corpo humano e de animais ainda estão sendo desenvolvidos por pesquisadores de várias partes do mundo. Faltam estudos A bióloga Alessandra Augusto afirma que a Baixada Santista ainda não conta com dados e estudos suficientes que mostram a presença de microplásticos nos animais. A Unesp busca entender a situação das espécies na região. Os animais, a água e o sedimento do local de coleta são levados para análise no laboratório da Unesp, em São Vicente. Alessandra ressaltou a preocupação com a presença de microplásticos no corpo de animais marinhos. Em várias partes do mundo os números são alarmantes, como na Laguna dos Términos, no México, e na cidade de Isipingo, na África do Sul.