Além dos prejuízos materiais, áreas alagadas impactam a mobilidade e atrapalham o deslocamento de trabalhadores e estudantes (Sílvio Luiz/AT) O Governo de São Paulo anunciou a contratação de um Plano de Macrodrenagem para os nove municípios da região, com investimento de R\$ 9,4 milhões e prazo de 24 meses. Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a proposta é sair de intervenções pontuais e construir um planejamento integrado “para parar de enxugar gelo”, com base em projeções climáticas, indicando obras e projetos necessários para reduzir enchentes, inclusive considerando o impacto simultâneo de chuvas e marés. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A recorrência de chuvas intensas e ruas submersas voltou a escancarar um problema histórico da Baixada Santista: a dificuldade de escoamento em cidades que, em alguns pontos, estão ao nível do mar e sofrem influência das marés. Há 15 dias, temporais deixaram municípios embaixo d’água e travaram avenidas importantes. Natália explica que o plano prevê um caderno individual por cidade, com integração regional a partir das bacias hidrográficas. “Queremos deixar um planejamento estruturado para a Baixada Santista”, afirmou. Segundo ela, intervenções isoladas podem apenas deslocar o problema para áreas vizinhas. O diagnóstico, segundo a secretária, vem sendo construído desde 2023, considerando os efeitos de extremos climáticos. Entre as especificidades da região está a combinação de chuvas fortes com maré alta, que reduz a capacidade de escoamento. São Vicente é citada como exemplo. Natália Resende: Estado tem plano para cada cidade (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Manchas de inundação O plano não é um pacote imediato de obras, mas a base para projetos e investimentos futuros. Ao longo de 24 meses, serão entregues diversos produtos, com participação de municípios, Comitê de Bacias Hidrográficas, Agência Metropolitana, Condesb, universidades e sociedade civil. Um ponto central será o refinamento das “manchas de inundação”, os locais que mais inundam, com projeções até 2050, para embasar decisões mais robustas. A partir disso, o plano indicará obras, pré-projetos, projetos e estimativas de custo. Recursos Natália diz que, enquanto o estudo é elaborado, o Estado executa intervenções com recursos do Fehidro e do Programa Rios Vivos (projeto estadual que tem como propósito melhorar a qualidade da água dos rios dos municípios paulistas). Segundo a secretária, há R\$ 32 milhões previstos para a Baixada pelo fundo e outros R\$ 25 milhões do Rios Vivos, além de ações em andamento em São Vicente e Itanhaém. Ela reconhece, porém, que essas medidas ajudam, mas não resolvem de forma definitiva. Outro desafio é o desassoreamento, especialmente pela destinação do material retirado de rios e canais. Estudos indicam que o descarte pode exigir transporte a longas distâncias. Avanço do mar O planejamento também terá capítulo específico sobre zona costeira, considerando o avanço do mar e alterações naturais que afetam rios e comunidades. Em Peruíbe, por exemplo, a foz do Rio Una mudou de direção após ressacas, exigindo enrocamento emergencial. A proposta agora é adotar soluções estruturais que combinem engenharia e soluções baseadas na natureza. Sobre o financiamento das obras futuras, a secretária defende modelo híbrido, com recursos estaduais e apoio de organismos internacionais. Para ela, planejamento integrado e execução gradual são o caminho para enfrentar um problema histórico que tende a se agravar com as mudanças climáticas. “Não resolve do dia para a noite, mas resolve de verdade”. Melhorar a mobilidade Para o presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas da Baixada Santista e prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), a liberação de recursos permitirá mapear as nove cidades, todas próximas ao nível do mar e sujeitas a marés que podem chegar a 1,7 metro. “A combinação de chuva intensa e maré alta amplia os transtornos. Canais e entradas de rios estão assoreados, o que reduz a capacidade de escoamento”. A melhoria da macrodrenagem, diz Mourão, também impacta a mobilidade, especialmente entre Santos e São Vicente. “Alagamentos prejudicam o transporte coletivo, as ambulâncias e o deslocamento de trabalhadores, afetando a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico. Áreas que alagam com frequência afastam investimentos”. A integração das nove cidades é vista pelo prefeito como fundamental para um crescimento equilibrado. Alberto Mourão: integração é necessária (Alexsander Ferraz/AT)