[[legacy_image_194765]] Somado ao Estado do Paraná, o Litoral Sul de São Paulo tem a segunda maior extensão de manguezais do País, com em torno de 43 mil hectares de mangue — perdendo apenas para as áreas do gênero de Amapá e Maranhão. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No Dia Mundial de Proteção dos Manguezais, especialistas reforçam a importância desse ecossistema para a vida humana e à vida animal tão abundante na região — e, também, tão degradada pela ação humana. Segundo a professora do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e líder do grupo de pesquisa Monitoramento Integrado de Manguezais, Marília Cunha Lignon, há 11,5 mil hectares de mangue no Litoral Sul e aproximadamente 7 mil na Baixada Santista. A diferença ocorre porque, em 2010, monitoramentos de satélite em alta resolução foram usados no Litoral Sul para se medir as dimensões, mas não se utilizou o sistema na Baixada. Por isso, a projeção aproximada nesse segundo caso. “Há diversos benefícios ecossistêmicos, como proteção da zona costeira, melhora da qualidade da água, além de estudos apontarem, ainda, para a absorção de carbono na fotossíntese, o que contribui para (amenizar) as mudanças climáticas”, diz. Marília acrescenta que, no entanto, existem muitas ameaças ao mangue na região, como as áreas ocupadas por moradias irregulares e por pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social e sem opção, pelas favelas de palafitas e pelo complexo portuário de Santos. Economia A pesquisadora explica que os mangues contribuem para as economias de diversas cidades, ao produzirem turismo de lazer e o de pesca. “No Litoral Sul, os gastos médios no turismo de pesca são em torno de R\$ 3 mil por pessoa, principalmente na pesca amadora de robalo. Os mangues são importantes vetores, também, na manutenção de municípios costeiros”, diz. O presidente da ONG Ecomov, Rodrigo Brandão Azambuja, afirma que os danos a essa biodiversidade também decorrem da falta de políticas públicas, o que gerou descartes de resíduos diariamente nessas regiões. Segundo estudo da ONG, há cidades com altos índices de resíduos nesses ecossistemas. Cubatão, com o pior deles, tem 6,9 unidades de resíduos na água por metro quadrado de mangue. “É necessária uma sintonia entre as medidas de prevenção, convencimento da sociedade civil e os órgãos públicos. Enquanto esses estiverem fora de sintonia, o problema vai persistir”.