Os animais tem aparecido com frequência nas praias do litoral de São Paulo (Reprodução / @fernandofishpro / Reprodução / Roberto Felix / Arquivo pessoal / Fernando Sousa Oliveira) Peixe raro, lobo-marinho e até baleia: durante o inverno, a presença desses animais nas faixas de areia das praias do litoral de São Paulo tem chamado a atenção de moradores e turistas. Mas por que esses encontros têm se tornado tão frequentes nesta época do ano? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por trás dessas aparições está um fenômeno natural. A chegada do inverno altera as condições do oceano e influencia diretamente o comportamento e o deslocamento de diversas espécies, como explica o biólogo Eric Comin. Com a mudança na temperatura e na disponibilidade de alimento, animais vindos de regiões como a Antártida e a Patagônia se movimentam pela costa em busca de condições mais favoráveis para alimentação e reprodução. Baleia jubarte Segundo Eric, as baleias-jubarte frequentam a costa paulista durante o inverno, período em que migram para águas mais quentes para se reproduzir e dar à luz aos filhotes. O biólogo relata que elas foram vistas na região de Santos, de Praia Grande, de Peruíbe e Ilhabela. "Elas saem das águas geladas da Antártida em direção ao nordeste brasileiro para se reproduzir, dar à luz e depois amamentar os filhotes. O litoral de São Paulo está dentro da rota desses animais. Ele funciona como um importante corredor de passagem durante essas longas jornadas de travessia desses animais". Lobo-marinho Já o lobo-marinho-subantártico, espécie originária da região da Antártida, costuma parar nas praias da Baixada Santista, como Mongaguá, Praia Grande e Itanhaém, para repousar e descansar durante o deslocamento, como esclarece o biólogo. "Ele sai da água gelada para regular a temperatura do corpo ali sobre o sol e recuperar as energias após nadar, aí sempre centenas de quilômetros. E eles podem ficar ali e passar até mais de 24 horas parado no mesmo lugar". Peixe-lua Considerado um peixe raro, o peixe-lua aparece ocasionalmente próximo à superfície, principalmente durante a passagem de correntes de água fria. Segundo Comin, essas águas concentram 'fartura' para essa espécie. "Uma grande abundância de alimento para ele, que são esses organismos gelatinosos". Orientações De acordo com o biólogo, uma das principais orientações é manter distância e não tocar nos animais ou tentar empurrá-los de volta para a água. No caso do lobo-marinho, por exemplo, é comum que ele chegue às praias para descansar, por isso, o ideal é não interferir nesse momento. "Tirar pets da praia também (é recomendado), para não se aproximarem. Não alimentar esses animais, porque os alimentos consumidos por humanos podem fazer mal a esses animais silvestres". Ele também destaca que "é extremamente importante, quando avistar algum desses animais, avisar os órgãos responsáveis. Como Instituto Biopesca, Instituto Gremar. E também, ao notar o animal encalhado ou animal machucado na orla da praia, é importante avisar esses órgãos responsáveis".