Em 13 anos, o número de formandos no Ensino Superior na Baixada Santista cresceu 28,7%, saltando de 8.882 em 2010 para 11.432 em 2023. O crescimento foi puxado pelo Ensino a Distância (EaD), que passou de 999 para 5.237 alunos nesse intervalo. Entre os cursos presenciais, queda de 21,4% (de 7.883 para 6.195) nesse mesmo período. Os dados fazem parte de levantamento feito a pedido de A Tribuna pelo Instituto Semesp, centro de inteligência analítica criado pelo Semesp, a entidade que representa os cursos superiores privados no Brasil. O instituto é formado por especialistas em análise de dados sobre o Ensino Superior, desenvolvendo estudos, pesquisas, indicadores e análises estatísticas referentes ao setor. Os números evidenciam o interesse crescente pelos cursos oferecidos de forma remota, ano após ano, mas com ascensão destacada durante a pandemia. Outro dado revelado no levantamento é a predominância de concluintes no Ensino Superior privado: em 2023, 10 mil formandos tanto nos cursos presenciais como nos EaD, contra apenas 1.432 nas universidades públicas. Baixa cobertura Para a presidente do Semesp e da Universidade Santa Cecília, Lúcia Teixeira, o crescimento dos cursos em EaD está bastante atrelado a uma demanda histórica de baixa cobertura no Ensino Superior que, segundo diz, persiste no Brasil. “Há um grande número de pessoas com 30 anos ou mais que concluíram o Ensino Médio, mas não tiveram a oportunidade de ingressar no ensino superior. O EaD atende um público composto majoritariamente por quem já está no mercado de trabalho, possui família e dispõe de uma renda limitada. A flexibilidade de horários e locais de estudo, aliada a mensalidades mais acessíveis, faz do EaD uma solução viável para esse público.” (Fonte: Semesp) Mais financiamento Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), prorrogado até dezembro, prevê taxa de matrícula no Ensino Superior de 33% na faixa etária de 18 a 24 anos. Atualmente, não chega a 20%. “Boa parte dos estudantes termina o Ensino Médio, mas muitos não ingressam no Ensino Superior na sequência. As instituições têm oferecido bolsas e financiamento próprios para suprir, mas precisa ser uma política de Estado”, diz a presidente do Semesp. A instituição tem atuado junto ao Governo Federal para incrementar os programas de acesso ao ensino superior, tanto por bolsas (ProUni) quanto por financiamento (Fies). “Os mais jovens preferem ingressar no ensino presencial, porém, a maioria não possui renda suficiente”, diz a executiva, que no final do ano passado levou projetos ao Ministério da Educação para aumentar esses programas. Cursos preferenciais Na lista de cursos preferidos dos que ingressam no Ensino Superior, figuram Direito e Pedagogia (veja quadro). “Direito é um curso de formação geral, que tem valorização social. E ainda há um certo conservadorismo na escolha dos cursos superiores no Brasil”, afirma Lúcia. A preferência por Pedagogia, segundo ela tem outra explicação: “A maioria dos alunos de Pedagogia está no EaD e é composta por pessoas mais velhas que já atuam no magistério. Muitos professores da Educação Infantil, cuja formação (em nível superior) passou a ser obrigatória a partir de 2013, precisam ter o diploma de Pedagogia. Além disso, profissionais que já estão na docência buscam uma nova graduação na área para ampliar suas possibilidades. No entanto, entre os mais jovens, o interesse pela carreira de professor é muito baixo, o que pode levar a uma escassez de docentes no futuro”. (Fonte: Instituto Semesp) Direito lidera preferências O curso de Direito aparece, no levantamento do Instituto Semesp, como o que mais forma universitários em uma lista dos 20 mais procurados na região, em 2023. Lidera com 8,3% dos formandos, seguido de Pedagogia (6,7%) e Sistemas de Informação. “Estamos em uma região onde os serviços são, naturalmente, muito fortes. Então, há uma tendência de predominarem profissionais na área de Humanas, como Direito, Administração, Psicologia. Há uma demanda maior. O Direito continua sendo muito procurado porque demandas novas surgiram e ganharam destaque, como compliance das empresas e LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Cada vez mais as empresas estão nessa linha e precisam de bons profissionais da área do Direito para entender essas legislações”, diz o especialista na área de Gestão de Pessoas e CEO da Rising Capital Humano, Fábio Sartori. Cursos de Ensino Superior na área de Tecnologia da Informação têm procura intensificada desde 2023 (AdobeStock) Leque de opções O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santos, Raphael Meirelles, atribui o interesse permanente por Direito ao leque de opções que a carreira proporciona. Além da advocacia, o profissional pode participar de concursos públicos para a magistratura (juiz, promotor), que têm estabilidade e bons salários. Meirelles destaca áreas do Direito que ganharam relevância nos últimos anos, ampliando as oportunidades para os novos formandos. Entre elas, o Direito Digital e as que estão ligadas à atividade portuária (questões aduaneiras, relações internacionais, marítimas). Além de se manter atualizado, o presidente da OAB destaca qualidades pessoais para se manter no mercado: ética e bom relacionamento. Novas ferramentas Fábio Sartori pondera que, embora as áreas no topo da lista sejam tradicionais, vai haver necessidade de os novos profissionais combinarem esse saber com as novas ferramentas de tecnologia. “Não dá mais para ignorar o uso da inteligência artificial, por exemplo. O que for operacional, a máquina vai proporcionar e, mesmo assim, você tem que fazer o discernimento necessário”, diz. Outras áreas Lúcia Teixeira explica que desde 2023 tem havido maior procura pelos cursos na área de Tecnologia da Informação (TI), e que talvez por isso ainda não apareçam com mais formandos na lista do Instituto Semesp. Sondagens feitas nas instituições revelam os cinco cursos com maior procura: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Engenharia de Software e Engenharia da Computação.