A Baixada Santista terminou março com número positivo de empregos formais e reverteu a situação negativa de janeiro e fevereiro. Abriram-se 1.361 postos de trabalho com carteira assinada, ante 774 no mesmo mês do ano passado. Porém, o primeiro trimestre foi muito inferior nesse quesito do que entre janeiro e março anteriores: saldo de 11 empregos agora, contra 1.874 nos três primeiros meses do ano passado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (veja quadro). O saldo de vagas em março foi o segundo maior desde 2020 — o mais alto foi em 2024, com 2.266 postos abertos, e o menor, em 2020, no início da pandemia de covid-19 (4.040 fechados). Quatro dos cinco setores nos quais o Caged divide os empregos formais existentes ficaram em alta em março: serviços (778 postos criados), construção (412), indústria (315) e agropecuária (17). No comércio, 161 a menos. A economista e professora universitária Célia Rodrigues Ribeiro analisa que “a economia está devagar”. Seria melhor se a taxa básica de juros do País fosse mais baixa e não houvesse as incertezas decorrentes de conflitos internacionais, que elevam os preços de petróleo e derivados — repassados para produtos e serviços. “A taxa de juros (Selic) teve queda de 0,25 ponto percentual (de 14,75% para 14,50% ao ano), mas ainda está muito elevada para que seja suficiente para estimular a economia”, diagnostica Célia, delegada regional e municipal do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-SP). A economista detalha que “juros mais baixos significam dinheiro mais barato. O estímulo atinge todos os agentes: famílias, empresas e Governo. Com os juros mais elevados, todos pensam duas vezes antes de gastar”. Características locais O saldo do emprego nas cidades que mais geraram vagas tem relação com seu perfil econômico. Em Santos, com o maior saldo da região (780), destacaram-se serviços (405) e construção (303). Em Cubatão, dos 363 postos criados, 311 surgiram na indústria. Mais jovens e com Ensino Médio puxam criação de vagas A criação de empregos em março, na Baixada, foi puxada pelo surgimento de empregos para jovens e trabalhadores com nível de escolaridade médio completo, de acordo com o Caged. Do saldo de 1.361 vagas, 924 (67,9%) se destinaram a quem tem concluiu o Ensino Médio, 662 (48,6%) para contratados na faixa de 18 a 24 anos e 698 (51,3%) para mulheres. Ainda na região, o segmento com maior saldo de postos com registro em carteira foi o de trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, com 528 postos. Entre esses empregados, 190 eram ajudantes de obras. Alta e baixa Técnicos de nível médio ficaram em segundo lugar (376, dos quais 204 professores de nível médio). Depois, trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio em lojas e mercados (294 vagas de saldo; entre eles, 220 eram faxineiros). Houve saldo negativo (fechamento de vagas) no segmento que abrange dirigentes de empresas (91 vagas extintas, das quais 88 de gerentes) e no de produção de bens e serviços industriais (45 postos encerrados, dos quais 25 na fabricação de alimentos, bebidas e fumo). ()