A participação das mulheres no mundo dos negócios cresceu na Baixada Santista (Adobe Stock) O empreendedorismo feminino avança na Baixada Santista e já ocupa espaço equivalente ao dos homens em parte dos principais polos econômicos da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Dados do Sebrae-SP mostram que, em 2025, as mulheres responderam por 160.345 atendimentos na região, o equivalente a 45,7% do total, e já representam 62,7% das pessoas físicas que buscaram apoio para empreender. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em Santos, principal centro econômico da Baixada, o equilíbrio também aparece nos registros de formalização: metade dos microempreendedores individuais (MEIs) é formada por mulheres, reflexo de um movimento que se espalha, sobretudo, por atividades ligadas a beleza, alimentação e comércio. “O empreendedorismo feminino deixou de ser exceção e passou a ser um dos pilares da geração de renda e ocupação”, destaca Bianca Marsaioli, consultora do Sebrae, ao analisar o cenário. Os atendimentos realizados pelo Sebrae na região também mostram a presença feminina consolidada entre os negócios já formalizados. Entre as pessoas jurídicas atendidas, as mulheres representam 55,6% dos empreendedores, indicando que muitas já ultrapassaram a fase inicial de abertura de negócios e estão em processo de consolidação de suas empresas. O volume de atendimentos acompanha a dinâmica econômica da Baixada, um território com mais de 1,8 milhão de habitantes, onde o crescimento populacional e a concentração urbana ampliam as oportunidades para pequenos negócios voltados às demandas locais. Os números também refletem a concentração econômica da região. Santos lidera o volume de atendimentos, com 130.894 registros, dos quais 56.336 realizados por mulheres. Em seguida, aparecem Praia Grande, com 66.661 atendimentos totais e 30.680 femininos, São Vicente, com 48.838 no total e 21.578 de mulheres, e Guarujá, onde a participação feminina é proporcionalmente maior, ultrapassando metade dos atendimentos. O cenário acompanha o peso demográfico desses municípios, que concentram a maior parte da population regional e acabam se tornando polos naturais de empreendedorismo. Os negócios e o potencial Na prática, os negócios liderados por mulheres se concentram, principalmente, em atividades ligadas aos setores de serviços e comércio, como cabeleireiros e tratamentos de beleza, restaurantes e alimentação, comércio de vestuário, serviços administrativos e publicidade. Margareth insistiu: emprega mais de 20 pessoas e é exportadora (Divulgação) Do tombo às vendas para o mundo Margareth Sampaio de Sá trabalhou por 16 anos em uma estatal. Privatizada, a empresa a dispensou, e ela precisou “se reinventar”, como diz. Como sempre gostou de moda, juntou-se à irmã na confecção de roupas infantis. A irmã logo saiu da sociedade, e ela, sozinha, não aguentou o desafio: faliu pouco tempo depois. Margareth atribui a quebra à falta de visão financeira, de controle de compras e de estoque. Mas o tombo não a fez desistir do sonho de trabalhar com moda, e logo começou a produzir biquínis na sala de casa mesmo. Aos poucos, foi se reerguendo, fazendo cursos e se profissionalizando. Neste domingo (8), dona da Santa Areia, emprega mais de 20 pessoas e exporta para vários países. Conselhos? “Pesquise o que você quer fazer, avalie o caixa e os recursos que tem e nunca deixe de estudar e se atualizar.” Cristina Guedes, Renata Santini, Flávia Santini, Arminda Augusto, Juliana Fernandes, Renata Neto e Ivana Montemurro (Juliana Fernandes) Enxergar-se, um desafio a vencer Um dos primeiros desafios que a mulher empreendedora precisa vencer é “se enxergar como empreendedora”. Bianca Marsaioli diz que, em muitas situações, a mulher já trabalha em casa produzindo itens para vender ou com serviços a terceiros, mas “acha que o fato de ser uma ocupação em casa, dividindo tempo com as tarefas domésticas, não é empreender”. A consultora explica que formalizar a criação da microempresa ou, mais adiante, a pequena empresa traz novas oportunidades de ganho: acesso a crédito, participação em editais e oferta de serviços a empresas maiores, que só compram com quem tem CNPJ, por exemplo. Bianca destaca as características diferenciadas que marcam uma mulher empreendedora: empatia, saber ouvir, cuidado maior com as finanças, habilidade em lidar com a equipe. Propósito Para a gerente comercial do Grupo Tribuna, Juliana Fernandes, criadora do projeto Donas do Negócio (leia na página 9), que este ano entra na quinta edição, a região “tem um potencial enorme para o empreendedorismo feminino. O que vemos nas empreendedoras é muito propósito, resiliência e uma grande capacidade de criar negócios conectados com as pessoas”. “Conviver com essas mulheres é um aprendizado diário: cada história carrega coragem e cada desafio revela criatividade e determinação. O Donas do Negócio nasceu justamente para fortalecer essa rede e dar visibilidade a mulheres que estão transformando talento em desenvolvimento e oportunidades para toda a região, mostrando que é possível transformar obstáculos em soluções e inspiração para outras mulheres”, diz. Bianca Marsaioli, consultora do Sebrae (Divulgação) “A questão da autoestima é muito relevante quando falamos de empreendedorismo. Muitas não se enxergam assim e acham que o que fazem em casa é algo menor. Depois que vencem essa barreira, elas conquistam muita coisa. Mas é preciso se qualificar, entender o ramo que elas querem entrar e saber lidar com as finanças, principalmente", Bianca Marsaioli, Consultora do Sebrae.