[[legacy_image_307787]] "Dos cenários que mais vêm impactando as áreas marinhas, o maior desafio são os efeitos das mudanças climáticas. São elas que vão trazer mais eventos extremos, mais erosão e inundação das cidades, perdas econômicas e de vidas. Vamos ter alteração dos oceanos muito severas”. A fala é da pesquisadora, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e atual coordenadora de Gestão Costeira do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA), Marinez Scherer. Ela esteve em Santos sexta-feira para participar de atividades acadêmicas com alunos do curso de Ciências do Mar, da Unifesp campus Baixada Santista. Marinez trabalha com pesquisas sobre o mar, especialmente na área de gestão costeira, há 30 anos e se diz preocupada com os efeitos das mudanças climáticas que já afetam os oceanos, principal responsável pela absorção de gases de efeito estufa que prejudicam a camada de ozônio. Gestão costeiraEm sua fala, a representante do Governo Federal explicou aos alunos que o ministério trabalha atualmente com a reestruturação das equipes e está retomando as estratégias de gestão do espaço marinho, tanto de orla como da faixa oceânica brasileira. “Estamos começando a[/TEXTO][TEXTO] falar sobre planejamento espacial marinho. Tanto a gestão costeira como o planejamento espacial marinho dizem respeito a resolver os conflitos entre a quantidade enorme de atividades humanas, usos econômicos na área mais próxima do mar de maneira que não haja conflito ou sobreposição de atividades e perda de qualidade ambiental”, disse. Nas área marinhas onde já há atividades econômicas consolidadas, como nas regiões portuárias, densamente ocupadas, a proposta é mitigar efeitos nocivos ao oceano e propor compensações em outras áreas. O papel dos municípiosMarinez também falou sobre outro prejuízo que os oceanos já vêm enfrentando por conta da elevação da temperatura dos oceanos: a morte do corais. “Coral é berçário para várias espécies. Já estamos vendo a acidificação dos oceanos, perda da capacidade de absorver o calor da terra, de produzir mais oxigênio. Os gestores dos municípios costeiros precisam começar a pensar agora em adaptação. E como se faz isso? “Evitando o adensamento extremo na orla das praias, por exemplo”, disse. Outro papel dos municípios, diz a representante do ministério, é conscientizar a população sobre o lixo e os contaminantes que vão parar nos oceanos, como efluentes domésticos e industriais, e o plástico. “O plástico já entrou na cadeia alimentar do ser humano”. E mais: “Uma política pública nunca irá para frente enquanto a sociedade não perceber que aquilo é um problema. Temos como exemplo da Lei do Gerenciamento Costeiro, de 1988, que nunca foi para frente. Enquanto a sociedade não perceber o problema, os gestores não vão se sentir pressionados”. FormaçãoAs atividades com os alunos do curso de Ciências do Mar foram coordenadas pelo professor Ronaldo Christofoletti, coordenador do Maré de Ciência, programa que aproxima a produção acadêmica da comunidade. Também participaram o secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Liborio; o secretário-adjunto de São Vicente, Mario Bueno; o superintendente de Meio Ambiente da Autoridade Portuária, Sidnei Aranha; além de representantes dos projetos Ecosurf e Albatroz.