[[legacy_image_226798]] Mais da metade dos 35 anos como diplomata, ele passou em missões internacionais. No próximo dia 10, Luís Faro Ramos completa dois anos como embaixador de Portugal no Brasil. Foi também presidente do Instituto Camões, criado por Portugal para a promoção da língua e da cultura portuguesa no exterior. Luís Faro esteve na região na última semana, a convite do presidente do Centro Cultural Português, José Duarte de Almeida Alves, e visitou diversas entidades luso-brasileiras. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A semana foi escolhida de propósito: no dia 1º, o Centro Cultural completou 127 anos, mesma data em que se festeja, em Portugal, o Dia da Restauração da Independência. “Já estive em 17 estados brasileiros. Uma das missões do embaixador é estar no terreno, ouvir as pessoas e entender suas preocupações”, diz. No próximo sábado, o senhor completa dois anos como embaixador de Portugal no Brasil. Que avaliação faz desse período? Isso mesmo. Não foi coincidência ter escolhido essa data, porque 10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Fiz questão de chegar ao Brasil em uma data simbólica. Como diplomata, já estive na Grécia, Macau, Genebra (Suíça), Bruxelas (Bélgica), voltei a Lisboa, Maputo (Moçambique), Cuba, onde fiquei dois anos. Em 2018, como presidente do Instituto Camões, fiz minha primeira visita a Santos, quando conheci o Centro Cultural Português. Foi dessa visita que Portugal decidiu apoiar, inclusive financeiramente, as obras de restauro do prédio. Hoje, estou aqui pela primeira vez como embaixador de Portugal no Brasil. Em quatro anos, vejo que o sonho de ver esse imóvel recuperado se transformou em realidade. Tendo passado por todos esses países, o que o senhor diria que diferencia o Brasil e a relação de Portugal com o nosso País? No meu trabalho anterior, tive algumas experiências não de relações bilaterais, mas multilaterais também, e posso dizer que não há comparação possível. O Brasil é um caso muito especial na relação com Portugal. É como se não fosse uma política externa, porque é um país com o qual temos muita relação, muita história. Tudo aquilo que liga os dois países, as duas comunidades são muito forte. É uma relação especial, de bastante intensidade, tem sentimento, afetividade e isso vai além do que é o nosso trabalho diplomático cotidiano. É uma alegria e uma responsabilidade ser embaixador aqui, basta ver a dimensão da nossa comunidade e a presença dela na vida do próprio Brasil. Os brasileiros em Portugal já são a maior presença estrangeira, não é mesmo? Sim, são quase 300 mil inscritos, mas deve haver mais. E, pela quantidade crescente de pedidos de cidadania, penso que essa comunidade vai crescer mais, tanto de pessoas que querem morar quanto estudar em Portugal. Nossas universidades estão com uma demanda e uma frequência de estudantes brasileiros enorme. Na Universidade de Coimbra, por exemplo, mais da metade dos estudantes estrangeiros é de brasileiros. Esse fluxo de brasileiros para Portugal preocupa o povo português, em especial pela disputa do mercado de trabalho? Não, de modo algum. A demografia em Portugal está decrescendo. Tudo que represente preencher postos de trabalho qualificado, ainda mais sendo o mesmo idioma, é bem-vindo. Há uma parcela da população que considera que o Brasil aproveitou muito pouco a passagem do bicentenário da Independência para comemorar e reforçar os laços históricos. Qual a sua opinião sobre isso?Não me cabe comentar as questões internas do Brasil, especialmente as políticas, mas digo o seguinte: quando as autoridades brasileiras nos procuraram para fazermos parte das comemorações do bicentenário, aceitamos com alegria. Não é comum o país que foi colonizado pedir ao país colonizador que participe da festa da Independência. Em Portugal, criamos uma comissão para fazer um plano de comemorações, tanto aqui no Brasil quanto em Portugal e em outros países. Um dos pontos altos foi a vinda do coração de Dom Pedro (I), que ficou exposto três semanas em Brasília. A partir de 1º de janeiro, muda o comando do governo brasileiro. Quais oportunidades Portugal enxerga a partir desse momento? A relação entre os dois países é tão forte que está acima de questões partidárias e políticas. Dito isso, o presidente eleito (Luiz Inácio Lula da Silva, do PT) esteve em Portugal e conversou com diversas autoridades, e com nosso presidente (Marcelo Rebelo de Sousa) também. Claro que conversamos sobre o futuro, e penso que será muito bom. Faremos iniciativas conjuntas muito positivas, como voltar a ter uma cúpula bilateral que não temos desde 2016, e, com isso, várias ações serão desenhadas em todas as áreas. Uma das maiores preocupações mundiais é em relação às mudanças climáticas. Como Portugal está lidando com essa questão? É uma preocupação que precisa ser assumida por todos os países, por todos os atores privados e públicos. Em Portugal, estamos tentando fazer uma transição climática correta, com energias limpas. Nosso primeiro-ministro (António Costa) manifestou apoio ao presidente eleito, Lula, em fazer uma COP na Amazônia, para que todos a conheçam e entendam melhor. É um dos pontos centrais da nossa política. Continuamos a caminhar para o abismo, e precisamos fazer algo urgente para parar isso. Na Copa do Catar, a torcida é para o Brasil ou Portugal?Torço pelo Brasil até encontrar Portugal... (risos)