[[legacy_image_292484]] Para quem mora longe de centros urbanos com melhor infraestrutura de saúde, a distância parece ainda maior quando se enfrenta uma doença que depende de tratamentos mais longos, como os pacientes oncológicos que fazem radioterapia. Em geral, as sessões são diárias, duram apenas 15 ou 20 minutos. Mas, para esses pacientes, o maior desafio é encarar a estrada por longas horas para ir e vir do hospital. Há cinco anos, Santos dispõe de um lugar para acolher esses pacientes e seus acompanhantes de forma gratuita: a Casa Ricardo de Acolhimento Transitório (Crat), uma entidade sem fins lucrativos instalada na Rua Teodoro Sampaio, no Bairro Jabaquara. Com capacidade para 14 pessoas (sete pacientes e sete acompanhantes), a Casa Ricardo oferece toda a infraestrutura necessária para que os pacientes e seus familiares possam passar a semana, de segunda a sexta-feira. “Muitas pessoas carentes vêm de longe para Santos fazer radioterapia e não têm onde ficar, nem como pagar uma pensão”, diz Eduardo Saraiva, um dos oito diretores da casa. A necessidade de estruturar uma moradia transitória para esse público nasceu da observação de que alguns desses pacientes ficam perambulando pela Cidade, como se fossem moradores em situação de rua, quando, na verdade, estão em tratamento. A Casa Ricardo oferece, sem custo, alimentação, roupas de cama e banho, material de higiene pessoal, além de lavanderia para períodos mais longos, mas não dispõe de enfermeiros, médicos, assistentes sociais ou empregados domésticos. Por isso, explica Eduardo, o encaminhamento para a acolhida deve ser feito apenas pelo serviço social dos hospitais. “Já visitamos vários hospitais da região e nos colocamos à disposição. Temos tido boa procura, mas sempre há vaga disponível”. Na semana passada, havia pessoas em tratamento: moradores do Vale do Ribeira, que não dispõe de serviço de radioterapia, o que faz com que as viagens diárias para esses pacientes durem até seis horas entre ida e vinda. HistóriasApesar de a maioria dos pacientes ser de tratamento oncológico, o diretor conta sobre situações dramáticas e emocionantes que já foram vividas nestes cinco anos. Uma delas ocorreu em fevereiro, quando da enxurrada que atingiu São Sebastião. Uma grávida entrou em trabalho de parto, foi trazida para Santos e o bebê nasceu prematuro. A mãe precisou acompanhar o filho durante a internação, mas o pai não tinha onde ficar. O hospital o encaminhou para a Casa Ricardo. A entidade é mantida pela ação de colaboradores mensais e pela renda de eventos beneficentes organizados para arrecadar fundos. Não há subsídio das prefeituras. Eduardo Saraiva e os demais diretores têm ampliado o contato com os hospitais da região, para sensibilizá-los a enviar mais pacientes que se enquadram nessa situação. “Percebemos que há condição de atender mais pessoas carentes. A estrutura está pronta e disponível. Queremos ver a casa cheia”.