Estudantes inscritos em edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): ter feito a prova é um dos requisitos para entrar no programa (Reprodução) Exatos 7.686 novos profissionais foram formados nas universidades locais, na última década, pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), iniciativa do Governo Federal criada em 2004. No mesmo período, em todo o Brasil, aproximadamente 900 mil estudantes concluíram a graduação por meio do programa. Diferentemente do País, porém, a Baixada Santista tem registrado número crescente de matriculados nos últimos dois anos: em 2022, eram 2.936; em 2023, esse total passou a 3.204, incluindo cursos em andamento e novos ingressos. O número de novas matrículas saltou de 747 em 2021, para 793 em 2022 e 923 no ano passado. Os dados fazem parte de levantamento feito, a pedido de A Tribuna, pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior de São Paulo (Semesp), que representa as instituições privadas de Ensino Superior no Brasil. Pelo ProUni, estudantes carentes podem acessar as bolsas parciais (50%) ou totais (100%) oferecidas nas universidades privadas do País. As instituições aderem de maneira voluntária, e a entrada tem como base a nota do estudante no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros critérios socioeconômicos. Às universidades aderentes, a contrapartida é o abatimento ou a isenção em tributos federais. Baixada e Brasil O estudo elaborado pelo Instituto Semesp analisa os dados da região de 2013 a 2023. Em 2013, o total de matriculados somava 4.119, com uma curva ascendente nos anos seguintes até atingir o pico de 5.223 em 2019, caindo nos anos de pandemia. Mas se a Baixada Santista vem recuperando as matrículas a partir de 2022, o mesmo não acontece com o restante do País: entre 2019 e 2023, houve queda de 34%,de 615.641 beneficiados em 2019 para números menores nos anos subsequentes. Esses dados indicam, segundo especialistas, a necessidade de ajustes no programa para que continue a ser a entrada para os egressos do Ensino Médio sem condição de pagar o Ensino Superior. Evasão menor O ProUni se consolidou, desde sua criação, como um programa bem-sucedido nesse propósito. Estudantes beneficiados pelo programa apresentam taxas de evasão menores em comparação aos alunos que não recebem bolsas. Conforme outro estudo do Semesp, a taxa de desistência entre 2014 e 2023 foi de 41% para bolsistas do ProUni, enquanto para estudantes de instituições privadas sem bolsas esse índice alcançou 63%. Primeiro da família Outro levantamento indica que, em 2019, a taxa de evasão no primeiro ano de curso para alunos sem apoio do ProUni ou do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) foi de 26,2%. Entre os beneficiários do ProUni, 8,8%. A presidente do Semesp e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Lúcia Teixeira, avalia que o estudante beneficiado com bolsa ProUni é, muitas vezes, o primeiro da família a acessar o Ensino Superior e “se empenha para conquistar o diploma porque sabe que essa pode ser a única oportunidade de melhor se qualificar para o mercado de trabalho”. Universidades apontam caminhos Um critério para ingressar na universidade pelo ProUni é fazer o Enem, obter pelo menos 450 pontos e não ter zerado na Redação. Para a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, o Governo Federal poderia ampliar a campanha do Enem e deixar claro que esse é o caminho para acessar o ProUni. “Muitas vezes, o estudante carente nem sabe que precisa fazer o Enem para conseguir as bolsas pelo programa.” Lúcia entende que programas do tipo são importantes para ampliar o número de jovens de 18 a 24 anos no Ensino Superior. Hoje, apenas 20% dessa faixa etária está na universidade, enquanto o novo Plano Nacional de Educação, que começa em 2025, preconiza 40% até o ano que vem. Apoio Outra sugestão da educadora é ampliar a bolsa permanência, uma espécie de ajuda de custo, também aos estudantes com bolsas parciais (50%), evitando a evasão porque muitos precisam trabalhar. Diretora-geral da Unaerp-Guarujá, Priscilla Bonini também defende que o bolsista do ProUni seja acompanhado quando ingressa no primeiro ano. “Os alunos têm grande potencial e são esforçados, querem vencer e se formar. Alguns vêm com alguma deficiência de formação, e é preciso acompanhá-los. Tivemos aqui na Medicina um aluno excepcional que era bolsista. (...) É preciso parar de falar em instituição pública ou privada. O importante é a boa educação.” Pró-reitora Administrativa da UniSantos, Mariangela Mendes Lomba Pinho reforça a necessidade de campanhas para adesão ao Enem. “Temos parceria com 38 instituições educacionais da Baixada Santista e fazemos uma campanha forte de conscientização durante o Ensino Médio”. Na UniSantos, todas as bolsas são integrais, e o número de ingressantes vem crescendo. Neste ano, são 468 alunos bolsistas. “Faz parte da natureza da UniSantos, por ser uma universidade comunitária”, diz.