Eduarda Campopiano (PL), vereadora em Praia Grande, foi a deputada estadual mais votada em São Paulo, com mais de 1,9 milhão de votos (Yasmin Braga/TV Tribuna) Eduarda Campopiano (PL), a vereadora de Praia Grande eleita deputada estadual mais votada de São Paulo, investiu R\$ 400 mil em impulsionamento de conteúdos nas redes sociais. O valor corresponde a 61% do total de despesas da campanha eleitoral dela, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A parlamentar, de 23 anos, recebeu 1.956.238 votos no último domingo. Ela se autointitula como a “maior inimiga das feministas de São Paulo” e coleciona episódios que geraram repercussão na internet. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o TSE, as atividades de militância e mobilização de rua representaram apenas 14% das despesas da campanha eleitoral de Campopiano (veja o ranking completo mais abaixo). A cientista política, historiadora e professora universitária Clara Versiani dos Anjos acredita que a rede social tem se mostrado uma importante ferramenta em campanhas eleitorais desde 2008, quando Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos. “O uso das redes que àquela época estavam disponíveis foi bastante importante, sobretudo, no engajamento de eleitores mais jovens. No entanto, em 2008, a importância era muito menor do que aquilo que a gente tem hoje. Isso significa que isso tem se intensificado cada vez mais nos últimos anos”. De acordo com ela, a rede social é uma importante ferramenta de comunicação e, por isso, pode ser uma aliada da política. No entanto, é necessária responsabilidade e estratégia para o uso, pois as redes funcionam com base em algoritmos, que são controlados por empresas. “Embora elas tenham toda uma série de benefícios, é muito importante que essas redes sejam fiscalizadas, controladas e limitadas pelo público, por nós, pelos cidadãos, para que a gente possa usufruir de fato do lado positivo e não sermos vítimas do lado negativo”, explicou. Decisivas Para Versiani, as redes sociais foram “fundamentais” para a votação expressiva de Campopiano, pois a parlamentar ganhou uma enorme visibilidade na internet. “É uma votação de alguém que sai, há dois anos atrás, de uma eleição para vereadora com 3 mil votos e passa para uma eleição de deputada estadual com 1,9 milhões”, ressaltou a profissional. Apesar disso, a cientista política afirma que a eleição dela não deve ser atribuída exclusivamente ao engajamento nas redes sociais. “Tem um público, pelo menos 1,9 milhões, que se identifica com parte do que ela coloca, ou se identifica completamente. (...) O que é bastante preocupante, porque ela tem um discurso que é um discurso antidemocrático sob muitos aspectos”, disse Versiani. A historiadora se preocupa com o futuro, pois, segundo ela, direitos constitucionais estão sendo colocados à prova nos discursos de Campopiano. “A fala dela encontra eco num determinado público e isso chama muito a atenção para o fato de que ideias tão extremistas encontrem esse tipo de apoio. É uma coisa que a gente tem que ter atenção e precisa refletir, cuidar e debater, mais do que o uso das redes sociais”. Valores da campanha Eduarda Campopiano não declarou bens no TSE, que divulgou as despesas da candidata na campanha levando em consideração as receitas adquiridas para a candidatura. Confira o ranking Despesa com impulsionamento de conteúdos: R\$ 400 mil (61%); Atividades de militância e mobilização de rua: R\$ 94.300,00 (14%); Despesas com pessoal: R\$ 59.030,00 (9%); Publicidade por materiais impressos: R\$ 56.102,60 (9%); Locação/cessão de bens imóveis: R\$ 25.100,00 (4%); Publicidade por adesivos: R\$ 17.681,00 (3%); Correspondências e despesas postais: R\$ 1.838,72 (menos de 1%); Encargos financeiros, taxas bancárias e/ou op. cartão de crédito: R\$ 263,20 (menos de 1%).