Um em cada quatro inscritos faltou no primeiro turno na Baixada Santista, conforme a Justiça Eleitoral (Alexsander Ferraz/ AT) Após a Baixada Santista, no litoral de São Paulo, registrar abstenção de 25,41% nas urnas no primeiro turno, especialistas projetam leve queda no índice no segundo turno das eleições, no próximo domingo, dia 25. Cientistas políticos afirmam que a polarização política e as campanhas de mobilização de eleitores podem contribuir para elevar o comparecimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O cientista político Alcindo Gonçalves, responsável pela Metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), ressalta que a taxa oficial de abstenção precisa ser analisada com cautela. Segundo ele, parte dos eleitores que não vão às urnas não é obrigada a votar, como analfabetos, jovens com menos de 18 anos e idosos com mais de 70. Outro aspecto apontado por ele é que os dados oficiais podem incluir eleitores que morreram, mas ainda constam no cadastro eleitoral, e pessoas que mudaram de cidade sem transferir o título. Para Gonçalves, esses fatores ajudam a explicar por que a abstenção registrada nas estatísticas não corresponde, necessariamente, ao número de eleitores que decidiram não votar. Há também, de acordo com o cientista político, quem deixe de comparecer por desinteresse ou insatisfação com a política. A facilidade para justificar a ausência e o baixo valor da multa aplicada a quem não vota também podem contribuir para esse comportamento. Gonçalves explica que, tradicionalmente, a abstenção aumenta no segundo turno porque parte dos eleitores perde o interesse após a eliminação de seus candidatos. Neste ano, porém, a polarização política pode estimular a participação, mesmo entre quem faltou na primeira fase. “Este ano é diferente, porque tivemos poucos candidatos eliminados com uma votação expressiva. Além disso, há uma polarização muito forte, com mobilização tanto contra o PT e Lula quanto contra o bolsonarismo”, avalia. Por isso, Gonçalves projeta uma redução discreta na abstenção. De acordo com o cientista político e CEO do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), Marcelo Di Giuseppe, a abstenção, historicamente, tende a ser maior no segundo turno. Entre os fatores que explicam o fenômeno, segundo ele, está a redução da mobilização das lideranças municipais que, no primeiro turno, trabalham pelas candidaturas a deputado. Em 2022, porém, a abstenção no País caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo. Para Di Giuseppe, uma possível explicação é a mobilização pelo voto de rejeição. “Eleitores compareceram às urnas, principalmente, para impedir a vitória do candidato de quem menos gostavam”, explica. O cientista político acredita que esse efeito pode se repetir neste ano. “Entendo que esse mesmo efeito poderá se repetir nesta eleição, contribuindo para manter o comparecimento no segundo turno, mas deverá ficar em torno de 20%.” A cientista política, historiadora e professora universitária Clara Versiani também acredita em queda sutil na abstenção, em decorrência da mobilização popular pode contribuir para reduzir o índice neste ano. “Nas últimas duas eleições, de 2022 e 2024, não houve tantas manifestações e tanta mobilização para o segundo turno quanto estamos tendo agora”, afirma. “É possível que isso faça diferença e contribua para diminuir o número de abstenções.” Graciela não crê em mudanças; Silva diz que cidadão deve cobrar (Alexsander Ferraz/ AT) Sentimentos distintos sobre o futuro Eleitores ouvidos por A Tribuna manifestaram sentimentos distintos em relação ao segundo turno. Enquanto parte demonstra esperança de mudanças, outros estão desanimados com os rumos da política nacional. A operadora de transporte Graciela Sarubi, de 48 anos, afirma que deseja mudanças na política nacional, mas não acredita que elas ocorram. “No quadro atual, eu não vejo essa possibilidade, porque são sempre os mesmos políticos”, diz. Apesar do desânimo com as eleições, Graciela acredita que a população precisa manter a esperança e que a abstenção não é uma saída. “Acredito que é um direito conquistado, que você tem que exercer e ir votar”, opina. O entregador Alexandre Cristóvão da Silva, de 54 anos, também defende que os eleitores exerçam o direito ao voto e demonstra mais otimismo. “Sou uma pessoa que sempre acredita no futuro e tenho muita fé de que as coisas vão realmente mudar”, afirma. Apesar da confiança, Silva destaca a importância de a população continuar cobrando os representantes eleitos após o período eleitoral. “O povo é muito acomodado. No começo, reclama, mas depois aceita. O certo é cobrar os políticos, caso as coisas deem errado”, diz.