O antilulismo venceu o primeiro turno das eleições gerais deste domingo (4). Em crise, a esquerda tradicional precisará se refazer, sem ter certeza de que haverá tempo para seu reerguimento perante o eleitorado nos próximos quatro anos — e, antes disso, tendo de pensar em como reverter a desvantagem numérica da disputa presidencial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em resumo, são conclusões do cientista político Alcindo Gonçalves, responsável pela Metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT). Gonçalves acredita que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tenha se favorecido do voto útil, no qual parte dos que talvez votassem nos demais concorrentes tenha optado pelo senador, em prejuízo ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O sentimento anti-PT e anti-Lula foi um pouco maior” do que a eventual rejeição ao bolsonarismo, considera. “Se era um cenário de equilíbrio até ontem (sábado, com base em pesquisas eleitorais), a partir de agora é de vantagem para Flávio.” Para Alcindo Gonçalves, as três semanas até o segundo turno poderão ser de novas críticas e acusações a Bolsonaro. Porém, em sua opinião, o candidato “parece blindado contra tudo. Há uma convicção do voto em Flávio e uma onda de governadores e senadores fazendo campanha forte para ele”. (A Tribuna) Desgaste A “crise da esquerda tradicional” decorre, para o cientista político, de elementos como “cansaço” e “desgaste” do PT. “O eleitorado está cansado. O PT precisa coçar a cabeça. A eleição botou o PT numa encruzilhada”. Para ele, o partido “não soube lançar pontes ao centro”. Outra razão para que Lula tenha perdido fôlego nesta etapa da eleição — e, País, afora, candidatos vinculados ao partido — está no “escândalo” em que se inseriu o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a denúncias e sentenças recentes. Parcialmente, é o que explica a eleição de senadores ou do PL ou mais à direita, que fazem defesa explícita do impeachment de ministros do STF. “(Essa promessa) Teve um papel enorme nessa onda” de votos a candidatos direitistas, na qual se sobressaem os de discurso extremista nesse espectro. Por isso, no próximo Congresso, tendem a ganhar espaço pautas e projetos não apenas conservadores, mas “reacionários”.