Especialistas afirmam que as pesquisas eleitorais são retratos do momento de uma campanha. Mas, para obter o melhor desenho possível, é preciso planejamento, método, rigor nos processos e assertividade. Neste ano, essa combinação voltou a ser acionada pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), que realizou sua primeira sondagem sobre as eleições deste ano e cujo resultado será publicado neste domingo (30). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ouviram-se 1,2 mil pessoas das cinco maiores cidades da Baixada Santista (Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Cubatão), entre os dias 20 e 26, respeitando a proporção do eleitorado desses municípios, como explica a especialista de Inteligência Corporativa do Grupo Tribuna, Karla Camarano. “No plano amostral registrado, Santos representa 29,1%; Praia Grande, 22,1%; São Vicente, 21,4%; Guarujá, 19,9%, e Cubatão, 7,6%”, afirma, ao lembrar que as entrevistas não representam as nove cidades da região. “Depois, controlamos características importantes dos entrevistados, como gênero, faixa etária, escolaridade, renda, além do estudo dos bairros de cada cidade”, complementa. No plano registrado pelo IPAT, por exemplo, o perfil por sexo é de 54,1% de mulheres e 45,9% de homens. Por idade, são 10,7% de 16 a 24 anos, 17,2% de 25 a 34, 18,4% de 35 a 44, 26,2% de 45 a 59 e 27,6% com 60 anos ou mais. O objetivo é evitar distorções. Em campo A distribuição por bairros (veja destaque abaixo) obedece a informações territoriais e populacionais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e eleitorais, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O IPAT trabalha com entrevistas presenciais em pontos de fluxo previamente planejados. O entrevistador recebe parâmetros de campo e realiza a abordagem das pessoas no local. (...) A abordagem é conduzida pela equipe de campo e controlada pelo fiscal de campo para que os perfis necessários à composição da amostra sejam cumpridos”, afirma Karla. “As entrevistas são realizadas em tablets, permitindo que a equipe responsável (no escritório) acompanhe o desenvolvimento da amostra e identifique se os parâmetros estabelecidos estão sendo respeitados. As equipes têm oito pesquisadores com um fiscal acompanhando o trabalho, justamente para assegurar a adequação dos entrevistados aos parâme-tros”, emenda. () Ordem das perguntas A entrevista começa com a pergunta espontânea, a que entrevistado responde sem receber previamente uma lista de candidatos. Depois, vem a pergunta estimulada, quando se apresentam os nomes dos concorrentes. “Quanto à pergunta estimulada, o entrevistado recebe um círculo com os nomes correspondentes ao cenário pesquisado e aponta sua escolha. Depois de registrar a resposta no tablet, o pesquisador confirma com o entrevistado o que foi marcado em termos simples: ‘Está correto?’. Isso reduz erros de registro”, salienta Karla Camarano. Mudanças A pesquisa eleitoral que será publicada por A Tribuna neste domingo (30) reforça uma nova estratégia do Grupo Tribuna com relação à inteligência de dados. “Desde julho, (o IPAT) faz parte de um guarda-chuva maior, que é o Núcleo de Inteligência Corporativa. Ter um instituto de pesquisas é uma ferramenta a mais nesse universo tão valorizado que é a ciência de dados. Além das pesquisas decampo, que são feitasna rua, estamos criandoum outro conjunto de ferramentas que vai darainda mais visibilidade, credibilidade e utilidadepara o IPAT”, explica a gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto. Estatística e cruzamento: confiança Dois elementos para a credibilidade de uma pesquisa são a margem de erro e o índice de confiança. No caso do IPAT, a margem é de 2,8 pontos percentuais, e o índice, de 95%. Na prática, se um candidato aparece com 30% das intenções de voto, considerando a margem máxima, o intervalo estimado fica entre 27,2% e 32,8%. “Já os 95% de confiança estão relacionados à segurança estatística do procedimento: se repetíssemos muitas vezes o mesmo método de pesquisa, nas mesmas condições, cerca de 95% conteriam o percentual verdadeiro da população pesquisada naquele momento. Isso não significa que a pesquisa tem 95% de chance de acertar a eleição”, pondera Karla Camarano. Cruzamento Após as entrevistas, há o cruzamento entre o que foi aferido pelos pesquisadores e a estratificação do perfil (faixa etária, gênero, cidade, escolaridade e renda), feito ao final de cada dia de pesquisa. No escritório, são duas pessoas fazendo o cruzamento e a montagem da apresentação final dos resultados. “O IPAT não entra em campo para produzir determinado resultado. Entra para medir”, observa Karla.