Campanha eleitoral para o pleito de outubro será permitida nas ruas e na internet, mas há regras (Luigi Bongiovanni/ArquivoAT) Começa neste domingo (16), de forma oficial, a campanha para as eleições 2026, cujo primeiro turno será no dia 4 de outubro. Pela TV, internet ou nas ruas, a corrida é a mesma: convencer o eleitor a escolher seu nome para os cinco cargos em disputa: presidente, governador, senador (duas vagas) e deputados federal e estadual. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A partir de agora, ficam permitidas a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet; a realização de comícios e uso de sonorização fixa, entre 8h e 24h, exceto o comício de encerramento da campanha, que poderá ser estendido por mais duas horas. Também é autorizado o uso de alto-falantes e amplificadores de som entre 8h e 22h, a uma distância mínima de 200 metros das sedes do Executivo e Legislativo, tribunais e quartéis, hospitais, casas de saúde, escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros. Já no dia 28 terá início o horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e televisão, que vai até 1º de outubro. IA e redes sociais Destaque, ainda, para o uso da inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral. Fica proibido publicar ou impulsionar qualquer novo conteúdo gerado ou alterado por IA entre as 72 horas que antecedem o pleito até 24 horas após o encerramento da eleição. Outro veto é de que os sistemas de inteligência artificial, mesmo quando solicitado pelo usuário, não podem sugerir ou ranquear candidatos, indicar preferência eleitoral ou recomendar votos. Além disso, redes sociais e plataformas digitais são obrigadas a realizar o banimento de perfis falsos, em caso de prática reiterada de condutas de crime eleitoral ou de publicação de fake news. Tom da campanha A cientista política Clara Versiani entende que a tendência, em um primeiro momento, é por um tom moderado nas campanhas, porque existe uma parte do eleitorado que se ressente quando a polarização é grande ou quando o candidato só ataca. “No entanto, ao mesmo tempo, à medida que essas críticas encontram eco num ressentimento dos eleitores ou de uma boa parte do eleitorado, eles (candidatos) também passam a apoiar esse discurso”. Ela critica a lentidão na apuração dos casos de fake news e na retirada de conteúdos inadequados durante a campanha eleitoral. “Embora haja uma regulamentação, a ação de coibir abusos ou infrações é demorada. Até vir uma reação, seja do Ministério Público, ou de algum candidato, o teor já foi disseminado”. Clara entende que, embora a propaganda de TV perca força na estratégia dos candidatos, ela ainda é importante, mesmo com os candidatos tendo outras ferramentas, sobretudo aqueles que são de legendas com menos tempo e espaço no vídeo. “De modo geral, o eleitor admite o contraditório. Mas há uma certa repulsa quando o debate começa a ficar acalorado demais e entra na questão das ofensas. Mas, com relação ao tipo de discurso, à estratégia, ao que seria mais apropriado, isso é uma coisa que vai sendo construída ao longo da campanha”, sinaliza. Nos bastidores, muito trabalho Para quem trabalha nas campanhas, a eleição começou há tempos. Agora com mais elementos, como novas tecnologias, embora o trabalho seja o mesmo. “A cada dois anos, a gente tem eleição. Mas a velocidade das mudanças é cada vez maior, principalmente com relação às redes sociais”, atesta o diretor de criação da Agência DSPA, Renê de Moura. Ele destaca a possibilidade do uso das redes sociais, desde que de forma transparente. “O valor do investimento nessas plataformas é cada vez maior. Na última campanha que fizemos para deputado (em 2022), representava, no máximo, 20% do total. Hoje, pode chegar a 40%, 45% e, em alguns casos, até 60%”. Moura entende que o trabalho de comunicação é muito maior, porque há um volume de troca de material diário completamente diferente do que existia antes das redes sociais, além da exigência com relação a vídeos. “Você precisa de profissionais de motion, que trabalham com animação, edição e captação de imagens. Mas é um espaço dividido entre todos os candidatos. Funciona como um leilão: muita gente anuncia ao mesmo tempo. Então, o custo para gerar impacto é muito maior”. O contraponto, entende Moura, é que o cliente é posto em uma condição de vulnerabilidade, com aumento dos palpites sobre como fazer campanha. “Todo dia aparece uma ideia nova, mas que, muitas vezes, não traz efetividade para aquilo que buscamos”. Gráficas Nas gráficas, a expectativa pelo trabalho nas eleições ganha forma a partir de agora. Em uma delas, que fica em São Vicente, a expectativa é por até seis novas contratações para atender à demanda. “A partir do primeiro dia é que eles pedem os materiais nas gráficas”, explica o comerciante Luiz Carlos Fontes. Ele conta que já foi procurado por alguns candidatos, mas ainda não fechou o fornecimento de itens como bandeiras, windbanners (que ficam em pé nas ruas) e panfletos em papel couchê, entre outros itens.