Em Santos, eleitorado com 70 anos ou mais representa 17,5% do total, maior percentual da região (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Dos mais de 1,4 milhão de eleitores da Baixada Santista, 12,9% têm 70 anos ou mais — faixa etária em que o voto é facultativo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O índice supera os 11,1% registrados no Estado de São Paulo e os 10,6% no Brasil. Santos se destaca nessa estatística: na cidade, quase um em cada cinco eleitores já ultrapassou essa idade. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme os dados, em Santos, o eleitorado com 70 anos ou mais representa 17,5% do total, sendo o município da região onde esse perfil é mais numeroso. Em números absolutos, são mais de 60 mil eleitores nessa faixa etária. Cubatão, por outro lado, ocupa o outro extremo, com apenas 7,6% de seus votantes incluídos nesse grupo — pouco mais de 6,9 mil pessoas. Em cidades como Praia Grande, Mongaguá e Peruíbe, essa parcela supera 12%, o que indica um avanço do envelhecimento populacional na região. Em Praia Grande, por exemplo, já são mais de 33 mil eleitores com 70 anos ou mais, enquanto em São Vicente esse contingente ultrapassa 31 mil pessoas, representando 12,2% do eleitorado local. Ao todo, a Baixada Santista reúne mais de 184 mil eleitores nessa faixa etária — um contingente significativo e capaz de influenciar o cenário eleitoral, especialmente em disputas mais acirradas. Demandas Para o cientista político e especialista em relações institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves, o grande número de eleitores acima dos 70 anos traz um elemento importante para o pleito: a abstenção. “É um contingente que não é obrigado a votar. Então, há uma abstenção mais alta nesse segmento do que em outros. Além disso, idosos têm, às vezes, questões de saúde e mobilidade que dificultam a votação.” Segundo ele, a polarização política também pode influenciar o afastamento desse público. “Há situações em que a abstenção decorre do desinteresse, da apatia, da falta de ligação com os candidatos. É possível que isso aconteça, na medida em que a eleição está muito polarizada e parte dos eleitores não se identifica com nenhum dos lados.” Para o cientista político e CEO do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), Marcelo Di Giuseppe, os candidatos nas eleições de 2026 precisam reconhecer demandas ainda não resolvidas para atrair esse eleitorado. Saúde, segurança e qualidade de vida aparecem como prioridades recorrentes. “Essas pessoas se sentem injustiçadas por terem contribuído por tantos anos e, na aposentadoria, enfrentarem insegurança financeira e perda de poder de compra.” De acordo com o especialista, a dificuldade vai além do acesso a serviços públicos e envolve questões estruturais. “Não adianta falar apenas em melhoria do sistema de saúde ou em espaços de convivência se muitos idosos não têm condições de arcar com despesas básicas, como alimentação e medicamentos.” Di Giuseppe também destaca diferenças no consumo de informação entre as faixas etárias. “Os mais jovens se informam mais pelas redes sociais, enquanto os idosos ainda têm a televisão como principal fonte, o que influencia a percepção política de cada grupo.” Local - Eleitores 70+ - Percentual Santos - 60.146 - 17,5% Praia Grande - 33.879 - 13,05% São Vicente - 31.179 - 12,26% Guarujá - 23.815 - 10,08% Itanhaém - 10.068 - 12,05% Peruíbe - 7.270 - 12,33% Cubatão - 6.908 - 7,69% Mongaguá - 6.206 - 12,4% Bertioga - 4.602 - 8,92% Baixada Santista - 184.073 - 12,89% Estado de São Paulo - 3.747.640 - 11,1% Brasil - 16.586.896 - 10,59% Comportamento varia, mas muitos fazem questão de votar Apesar da relevância numérica, o comportamento dos eleitores com mais de 70 anos varia bastante. Ainda que o voto seja facultativo, muitos fazem questão de ir às urnas e exercer a cidadania. Por outro lado, há quem opte por não participar mais do processo eleitoral. A aposentada Leonor da Silva Torres, de 89 anos, moradora da Esplanada dos Barreiros, em São Vicente, afirma que não vota há anos e não pretende participar das próximas eleições. Segundo ela, o principal motivo não está relacionado à política em si, mas às dificuldades de deslocamento. “Não é nem pelos políticos, mas sim pelo trajeto, acaba sendo cansativo”, explicou. Mesmo fora do processo eleitoral, Leonor mantém expectativas em relação à gestão pública. Na opinião dela, áreas como transporte público, saúde e limpeza urbana deveriam ser prioridades para os candidatos a cargos públicos. “Espero um candidato que melhore o transporte, os postos de saúde e, principalmente, a limpeza da cidade”. Já o aposentado Antônio Alves de Lima, de 73 anos, morador do Perequê, no Guarujá, diz que pretende votar nas próximas eleições, mesmo sem ter ainda um candidato definido. “Acredito que, apesar da idade, é um dever de todo cidadão”, afirmou.