A busca pelos 155,9 milhões de eleitores espalhados pelo Brasil, em ano de eleição municipal, já começou. Iniciado o período de convenções partidárias, os candidatos às prefeituras e às cadeiras no Legislativo traçam estratégias para ter seus números digitados na urna no dia 6 de outubro. Pois o eleitorado guarda particularidades, especialmente quando analisadas as faixas etárias (veja no quadro abaixo a configuração de cada município). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em um recorte local, nos nove municípios da Baixada Santista, a predominância é de eleitores entre 45 e 59 anos (372.385 eleitores, ou 25,6% do total). Já os menores de 18 anos e entre 70 e 79 anos somam, respectivamente, 11.488 (0,7%) e 111.996 (7,7%) de eleitores. A Baixada levará às urnas 1.451.342 eleitores em 6 de outubro. No âmbito nacional, os eleitores de 16 e 17 anos somam 1,83 milhão de pessoas, índice 78,16% maior que em 2020. Observando-se apenas os eleitores paulistas, o número de votantes entre 16 e 17 anos é de 231.310 pessoas. Já de 45 a 59 anos são 8.908.885 eleitores, enquanto o contingente dos que têm entre 70 e 79 anos é de 2.331.817. Influência e variáveis Para a professora universitária, historiadora e cientista política Clara Versiani dos Anjos, a questão da faixa etária é uma variável que pode intervir no comportamento do eleitor. No entanto, as escolhas do eleitorado não são definidas por uma única variável, e sim por várias. “Variáveis importantes na determinação do comportamento do eleitorado, para estabelecer uma projeção do comportamento do eleitorado, são idade, renda, escolaridade, gênero e muitas outras. Até mesmo a questão étnica também, em alguns casos e em alguns cenários”, analisa. Para ela, é preciso considerar as circunstâncias históricas e sociais e políticas daquela sociedade naquele momento da eleição. “De uma maneira geral, os jovens tendem a apoiar certas pautas, que são mais avançadas. Questões como liberação das drogas, aborto etc. podem vir a contar com um apoio maior”. Por outro lado, Clara entende que, quanto à população mais velha, é mais provável que haja tendência ou aprovação de pautas mais conservadoras, tanto em comportamento quanto a questões econômicas e de políticas públicas. “Se a gente somar, no caso de Santos, a população de 60 a 79 anos (89.400 eleitores), temos uma fatia significativa de eleitores nessa idade, que quase empata com a faixa de 45 a 59 (90.893), que já é uma população mais velha, uma população adulta e que, de uma maneira geral, é mais estabelecida, com uma tendência também em apoiar aquelas pautas que são mais conservadoras, mas que não significa necessariamente conservadoras no sentido do costume”, reforça. Cacaracterística própria Clara Versiani lembra que, no caso das eleições municipais, não é possível fazer uma simples transposição direta daquilo que ocorre no cenário nacional. “O contexto municipal é diferente. Ainda que seja provável que a gente tenha uma tendência de polarização, as relações costumam ser diferentes, as alianças, a relação com os governos Estadual e Federal, quando é candidato desse ou daquele partido. As composições variam muito”. A cientista política traz ainda um exemplo de como a idade é apenas uma variável: uma parte da população que é adulta ou idosa, mas tenha um passado de luta sindical. “Ainda que sejam eleitores mais idosos, de quem a gente esperaria um determinado comportamento ou tendência de voto, em razão da atividade profissional, por exemplo, essa inclinação é diferente”, resume. Para especialista, idade pode influenciar na hora do voto O doutor em Ciência Política pela USP Caio Barbosa também reforça a importância da predominância da faixa entre 45 e 59 anos no eleitorado local. “No geral, em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, o Reino Unido, o fator idade costuma ter um peso importante, seguindo a lógica do que consideramos convencional; ou seja, os mais jovens costumam votar mais na esquerda, e os mais velhos votam mais na direita, em políticos e partidos conservadores. No Brasil, essa divisão não é observada de forma tão evidente, porque você tem outros elementos cruzados que acabam gerando uma pressão maior na decisão do voto”, pontua. Ele entende que um jovem evangélico pode ter um comportamento eleitoral mais conservador do que um eleitor mais idoso, mas católico, para dar um exemplo. “Com relação a diferentes faixas etárias ,nós podemos encontrar alguns padrões. Uma pesquisa do DataSenado de 2019 reforçou o papel cada vez relevante das redes sociais para o eleitorado como um todo, mas você tem uma clara tendência de que, quanto mais jovem o indivíduo, mais ele se informa sobre política pelas redes sociais; por outro lado, quanto mais velho o indivíduo, mais ele costuma utilizar a televisão como fonte de informações”. Ele ressalta, contudo, que as redes sociais têm cada vez mais um papel preponderante para o eleitorado como um todo, seja pelo WhatsApp, Facebook ou YouTube, “Essa tem sido, cada vez mais, a arena onde os eleitores buscam saber mais informações sobre os candidatos e sobre a política em geral”, complementa.