[[legacy_image_207966]] O futuro da Educação na Baixada Santista e no Brasil está em jogo. E para que ele volte a ser promissor, tem que superar desafios agravados pela pandemia, que causou danos em todos os níveis, desde o Ensino Fundamental até o Ensino Superior. E ultrapassar dificuldades impostas pelos cortes do Governo Federal em pesquisa científica e no financiamento público, que levam cada vez mais, menos jovens às universidades. É o que defende o reitor da UniSantos, Marcobrasils Medina Leite. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Nós perdemos a perspectiva de universalização do acesso à educação, que era o modelo até três, quatro anos atrás. De lá para cá, as políticas públicas voltadas à facilitação do acesso dos jovens ao Ensino Superior foram descontinuadas ou profundamente diminuídas.Tínhamos políticas indutoras, como o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e o Prouni (Programa Universidade para Todos), como um meio de acesso gratuito ou parcialmente gratuito, que foram modificadas”, aponta o reitor. A dificuldade de acesso de jovens às universidades pode ser medida em números. Segundo Leite, a taxa de escolaridade líquida no Ensino Superior era de 18,4% em 2018, mas o último índice disponível, de 2020, caiu para 17,8%. “A meta brasileira para 2024 era de 33%. Como garantir que os jovens de 18 a 24 anos vão à universidade? Que sonhos eu posso ter quanto à Educação Superior?”, questiona. O problema nacional tem um componente ainda mais preocupante para a região. De acordo com o reitor, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de 2011 a 2020, mostram que a Baixada teve o pior desempenho, em termos de crescimento econômico, entre todas as regiões do Estado. “Como 2020 foi sucedido por dois anos de pandemia, com franco impacto na atividade econômica, é possível que a situação tenha se agravado. Então, fica mais difícil para o jovem ter acesso à Educação Superior”. Neste aspecto, a região seguiu a queda nacional, com uma entrada 40% menor de estudantes no Ensino Superior em 2021. Os desafios em qualquer nívelEm um mundo cada vez mais digital, a mudança de concepção e aprendizado nos ensinos Fundamental e Médio são urgentes, já que a informação pode estar a apenas um clique. “Precisamos permitir que as crianças compreendam que a Matemática não é uma disciplina isolada, mas faz parte da biologia da vida. Que a Química e a Biologia se constroem em torno da Matemática, para a compreensão dos fenômenos. Entender que a Língua Portuguesa faz-se necessária para estabelecer a relação entre as pessoas e é mecanismo de poder, de influência, de aceitação, de inclusão”. No Ensino Superior, o investimento em pesquisa é primordial. “Não há caminho senão pela ciência e pela pesquisa. É isso que garantirá que as nossas cidades sejam inteligentes. Para que eu tenha uma cidade inteligente, preciso ter tecnologia embarcada nos processos urbanos”, exemplifica. Rumos para o BrasilPara o reitor da UniSantos, o País precisa potencializar seu patrimônio para ser competitivo no mercado internacional. “Nós temos a maior biodiversidade do planeta. Mas essa biodiversidade requer capacidade de pesquisa. Como os nossos jovens podem ser preparados para lidar com tamanha potencialidade se não aproveitarmos o tempo da universidade para que ele tenha contato com isso?” Sob essa ótica, somente o engajamento dos setores público, privado e da sociedade como um todo, valorizando e investindo em Educação, podem tirar o País da estagnação e levá-lo a um patamar capaz de competir com as potências mundiais. Localmente, ele também destaca o potencial dessa união de forças. “As empresas que estão na Baixada Santista precisam se aproximar dos ambientes universitários. Assim surgirá a inovação. Seja para o Porto, o setor logístico, o polo petroquímico, os setores turístico e hoteleiro, a área histórica e a economia criativa”.