[[legacy_image_115556]] Especialistas na área da Economia consultados por A Tribuna consideram necessário o Governo Federal ampliar a destinação de verba à população mais necessitada, ainda que, na opinião deles, a iniciativa tenha como pano de fundo melhorar a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Daniel Arias Vazquez, entende que reforçar o Bolsa Família ou propor uma forma de auxílio permanente se justifica e é urgente, diante do agravamento da pobreza no País nos últimos anos. “No caso do Auxílio Emergencial, houve demora e resistência por parte do Governo para atingir um valor superior a R\$ 200,00. Na prática, o auxílio de R\$ 600,00 e sua prorrogação só aconteceram porque o Governo foi derrotado. E o Auxílio Brasil parece que vai no mesmo caminho, ou seja, só será implementado devido à fragilidade política da atual gestão.” Mestre em Economia Social e do Trabalho e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Vazquez entende que a agenda social precisa ser central e com fonte permanente de recursos, o que não cabe no teto de gastos. “A atuação no campo social é sempre improvisada, mal formulada e em constante contradição dentro do próprio Governo.” Embora admita ser um crítico da política econômica do Governo Federal, o professor universitário aposentado e economista José Pascoal Vaz classifica como positiva a ideia de aumentar o valor pago às famílias que são beneficiadas pelos programas de transferência de renda. “Essa é mais uma ação para o Bolsonaro tentar melhorar a sua popularidade, após o grande desgaste provocado pela pandemia de covid-19. Essa política de austeridade é uma verdadeira loucura. Vivemos uma crise muito grave, e a população precisa desses recursos para conseguir sobreviver.” Conforme Vaz, o Governo Federal precisa “fazer rodar a maquininha”, ou seja, pôr dinheiro nas mãos das pessoas para que os mais necessitados e desempregados possam consumir e movimentar a capacidade ociosa do capital, pois essa é uma necessidade para ativar a economia nacional. “Trata-se de uma questão moral e ética ajudar os cerca de 70 milhões de pessoas que estão desempregadas, subempregadas, na informalidade e desalentadas. Não temos que nos preocupar com o aumento da dívida do País neste momento”, julga. Fila de esperaMuitos brasileiros já inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ainda não receberam o Bolsa Família, o que tem provocado uma fila de espera em todo o País. Antes da pandemia de covid-19, a concessão do benefício demorava de um a três meses. A responsabilidade pelo pagamento dos valores é do Governo Federal, e cabe aos municípios executar o cadastro, conforme as exigências estipuladas. Bertioga informou que 593 famílias aguardam para receber o benefício. Esse número é maior em Guarujá (1.924) e em Praia Grande (820). Além disso, a concessão do benefício depende de quantas famílias já foram atendidas no Município em relação à estimativa de famílias pobres feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para essa localidade. Além disso, o Governo Federal precisa respeitar o limite orçamentário do programa.