[[legacy_image_273174]] Você já parou para pensar como o oceano influi na sua vida? Essa pergunta foi feita em uma pesquisa inédita, no País, da Fundação Grupo Boticário, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os números revelados pelo estudo trazem índices assustadores: 26% dos brasileiros acreditam que o oceano não impacta em nada suas vidas, e 40% estão convencidos de que suas ações não têm reflexo no oceano. Esses dados preocupam o biólogo e professor Ronaldo Christofoletti. Ele faz parte do programa Maré de Ciência, criado com outros docentes da Unifesp para levar ciência à sociedade. “Essas preocupações vêm aumentando, uma vez que vivemos a Década do Oceano até 2030. É importante entender nossa relação com o oceano.” O professor associa o programa ao evento global da Organização das Nações Unidas (ONU). “A gente tem um minimundo. Temos o maior Porto da América Latina, a maior porção contínua e mais preservada de Mata Atlântica no Brasil, que é a área de Cananeia, Iguape e Peruíbe, a gente tem populações de extrema vulnerabilidade, como na Zona Noroeste de Santos, Cubatão e São Vicente com palafitas e, por outro lado, bairros com IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) próximos aos da Suécia.” Christofoletti chama a atenção de localidades que ainda têm uma grande área de restinga — faixa de depósitos arenosos paralela à linha da praia. São os casos por exemplo de Bertioga, Peruíbe e Itanhaém. “O quanto elas estão sendo conservadas?” Tudo isso está ligado à sobrevivência dos oceanos. “Olhe as bandeiras vermelhas nas praias, a retirada de manguezais, a poluição, o que restou das comunidades tradicionais aqui da Baixada Santista. Como a Ilha Diana. Nós valorizamos essas comunidades?” Ainda: para ambientalistas, as fortes chuvas no Litoral Norte, em fevereiro deste ano, ocorreram porque o oceano não dá mais conta de regular o clima com precisão. O aumento médio da temperatura da água pode, inclusive, causar o derretimento das geleiras da Groenlândia e da Antártida e, assim, aumentar o risco de inundações costeiras. O lixo, até o marUm levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mapeou os caminhos que os resíduos terrestres percorrem até chegar ao mar. Saem de palafitas, canais de drenagem e da orla da praia. O levantamento revela que grande parte do lixo coletado nas praias vem de áreas com estrutura urbana precária. Indicadores internacionais mostram que cerca de 80% do lixo marinho tem origem no ambiente terrestre. No Brasil, segundo a Abrelpe, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos vão parar nos rios e mares, quantidade suficiente para cobrir 7 mil campos de futebol. O número pode ser maior: os 30 milhões de toneladas de lixo descartados inadequadamente em lixões e aterros controlados do País, por ano, podem acrescer 3 milhões de toneladas de lixo no mar.