Atravessar a rua, ir ao ponto de ônibus e transitar pela calçada são algumas das ações de rotina do personagem mais indefeso do trânsito: o pedestre. E nesta quinta-feira, 8 de agosto, é o dia internacional dele, data que serve para refletir sobre os cuidados que se deve ter com quem usa os pés no tráfego nosso de cada dia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O cuidado se justifica: o primeiro semestre deste ano foi o mais letal para o pedestre nos últimos cinco anos no Estado. As estatísticas do Infosiga, portal de dados viários do Detran-SP, mostram 700 mortes por atropelamento no período – um acréscimo de 19,7% em relação aos 585 óbitos do mesmo período, em 2023. Para o mestre em Arquitetura e Urbanismo José Marques Carriço, o que mais beneficia os pedestres é colocá-los na prática como prioridade, seja nos projetos e desenhos do sistema viário, quanto nos esquemas de transporte. “Quem manda realmente é o transporte motorizado, sobretudo o automóvel, porque a nossa é uma sociedade em que os proprietários de automóveis normalmente têm mais poder político. Esse é um ponto”, analisa. Em relação à Baixada Santista, o andar a pé é estimulado pela topografia: à exceção dos morros, predomina o terreno plano. “Elas (cidades) têm um potencial muito grande para estimular o caminhar, e a gente está vivendo um período histórico com a mudança do clima e a maior frequência de eventos extremos que exigem da nossa sociedade uma mudança de paradigma. A gente precisa começar a deixar esses veículos em casa e andar o máximo possível, até porque isso faz bem para a saúde”. Planos em realidade Ele aponta, ainda, que deficientes e idosos, com mais dificuldade de locomoção, precisam de adaptações para trafegar, especialmente nas calçadas. Em Santos, ele reconhece os esforços com o programa Calçada Para Todos, que vem padronizando as vias de pedestres na Cidade. “Há esforços para o rebaixamento de guias (...) De fato, tem melhorado a qualidade das calçadas pela Cidade, mas ainda está muito longe de alcançar o ideal”. Nesse sentido, cita sobretudo árvores inadequadas que ainda ocupam espaços em demasia, em calçadas que ainda por cima são estreitas. “Com raízes que estouram o calçamento e impedem, por exemplo, cadeirantes de passar ou até provocam acidentes”, enfatiza. A pé A advogada santista Bruna Cabral Coelho da Silva costuma andar a pé no dia a dia. “Além de ser muito bom para a saúde, tem dias, como os de sol, em que fazer as coisas a pé é gratificante”. Segundo ela, andando a pé, é possível admirar a paisagem, o céu; contemplar e conhecer lugares que, de carro, passariam despercebidos. E é na prática que ela percebe alguns problemas para o caminhar. “Tem calçada que é muito estreia, sequer cabe uma pessoa andando; algumas ruas são bem esburacadas. Esses pontos poderiam ser melhorados”. Ações O Governo de São Paulo realiza a campanha Sinal de Respeito. Ela colocará peças na tevê e nas mídias digital e impressa para conscientizar as pessoas no trânsito. Além disso, haverá uma série de ações pelo Estado hoje visando o pedestre. Uma delas será no km 217 da SP-055 (Rio-Santos), em Bertioga, na qual o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) atuará para possibilitar a travessia de pedestres com segurança. Já em Santos, a CET, em comemoração ao Dia do Pedestre, realizará ações de travessia nas faixas dos shoppings Balneário, Miramar e Praiamar, das 11h às 16h, com o objetivo de instruir motoristas e pedestres a respeito da travessia segura. Ainda em Santos Em nota, a Prefeitura de Santos esclarece que já executa diretrizes estabelecidas no Plano de Mobilidade e Acessibilidade Urbanas, que envolve uma legislação ampla de princípios, objetivos e estratégias que orientam a efetivação da Política Municipal de Mobilidade Urbana. Para os pedestres, cita a implantação de 67 quilômetros de calçada acessíveis, no programa Calçada Para Todos, a criação de bulevares e a ampliação da metragem de calçadas. Exemplos disso, segundo a Prefeitura, são a Nova Ponta da Praia, a Rua Gastronômica (Tolentino Filgueiras, no Gonzaga), a Rua Riachuelo (bulevar, no Centro) e a Praça Barão do Rio Branco, recentemente remodelada.