Devota reza em frente à imagem de Santo Antônio no Embaré: igreja de Santos contará com seis missas e procissão (Vanessa Rodrigues/ AT) O Dia de Santo Antônio, celebrado neste sábado (13), segue como uma das datas religiosas mais populares do Brasil. Conhecido como o santo casamenteiro, ele atrai milhares de devotos todos os anos para missas, procissões, novenas e quermesses. Na Baixada Santista, a celebração tem forte significado histórico e afetivo, reunindo diferentes gerações em momentos de fé e devoção. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nascido em Lisboa, Portugal, em 1195, e batizado como Fernando de Bulhões, ele ingressou na vida religiosa ainda jovem e se destacou pela dedicação aos pobres e pela profunda capacidade de pregação. Após sua morte, em 1231, foi canonizado em tempo recorde pela Igreja Católica. Com a colonização portuguesa, sua devoção chegou ao Brasil e se espalhou por todo o País. Trezenas Em Santos, a ligação com o santo atravessa séculos. No Santuário Santo Antônio do Valongo, a Trezena celebra 386 anos de tradição em 2026. Para o pároco Júlio César de Araújo Brant, de 55 anos, a força da devoção está diretamente ligada ao exemplo deixado pelo santo. “Santo Antônio foi um homem que teve um encontro pessoal com Jesus, e a palavra de Deus fez morada em sua vida. Ele a ouvia e praticava”. Segundo o sacerdote, a popularidade no Brasil também tem raízes históricas. “Santo Antonio já veio com uma tradição. Como ele nasceu em Lisboa, com a colonização portuguesa, eles trouxeram consigo a devoção ao santo”. Para Brant, a principal mensagem deixada pelo religioso permanece atual. “Olha com misericórdia para todos, sem exceção”. Programação No Santuário Santo Antônio do Valongo (Largo Marquês de Monte Alegre, 13, Valongo, em Santos) as celebrações começam às 8h, com missas também às 10h, 12h e 13h30. Às 15h, será realizada a Missa dos Enfermos. A tradicional procissão pelo bairro acontece às 17h, seguida por uma missa campal às 18h. Haverá também quermesse e distribuição dos tradicionais pão e bolo de Santo Antônio. Já na Basílica Menor Santo Antônio do Embaré (Avenida Bartolomeu de Gusmão, 32, Embaré, Santos), as homenagens incluem missas às 7h, 9h, 11h, 13h, 15h e 17h. Após a última celebração, haverá procissão pelas ruas do bairro. A quermesse da basílica segue até 5 de julho, com funcionamento às sextas-feiras, sábados e domingos (exceto neste domingo,14). Bolo de Santo Antônio é preparado na Igreja do Embaré: fiéis disputam fatias de olho nas medalhinhas (Vanessa Rodrigues/AT) Fiéis compartilham graças e mantêm viva tradição Entre os devotos, as histórias de graças alcançadas ajudam a explicar a permanência da tradição. A consultora de Recursos Humanos Neiva de Souza Alves, de 42 anos, moradora de Praia Grande, conta que recebeu da avó, em 2011, uma imagem de Santo Antônio. Na época, Neiva estava solteira. Após levá-la a uma missa e pedir a intercessão do santo, conheceu o homem que viria a ser seu marido pouco mais de um mês depois. “Em 23 de julho, conheci o meu marido e estamos juntos até hoje”. Desde então, a devoção se fortaleceu. “Independentemente de onde eu esteja, vou a uma missa em agradecimento a todas as bênçãos que ele fez e faz por mim e, claro, pelo meu casamento”. A aposentada Alzira Peres, de 83 anos, do Valongo, tem uma relação ainda mais antiga com o santo. Frequentadora do Santuário do Valongo desde a infância, ela relembra as tradições familiares ligadas à celebração. “Ele é meu padrinho, então eu sou muito abençoada. Tudo que eu peço a ele, sou atendida”. Alzira conta que ajudava a mãe na confecção e venda dos tradicionais lírios de Santo Antônio, cuja arrecadação era destinada à igreja. Devoção que se renova A fisioterapeuta Adriana Batista Camargo, de 43 anos, moradora da Guilhermina, em Praia Grande, diz que Santo Antônio é uma presença constante em sua caminhada espiritual. “Santo Antônio é uma presença muito especial em minha vida. Ele me inspira a viver a fé com simplicidade, amor ao próximo e confiança em Deus”, diz. Outra devota que mantém viva a tradição é a faxineira Maura Pereira da Silva, de 57 anos, moradora de Praia Grande, que cresceu acompanhando as novenas promovidas pelo pai, em Minas Gerais. Mesmo após a mudança para o litoral, ela preservou o costume familiar. “Quando meu pai morreu, minha mãe continuou a tradição de fazer a novena. Depois que vim para a Praia Grande, continuei rezando todos os anos e mantendo a minha fé”.