[[legacy_image_63261]] O setor de bares e restaurantes da região está desesperado por medidas que garantam a manutenção das atividades e o emprego e sustento de milhares de trabalhadores, afetados pelo avanço da pandemia que fez os estabelecimentos fecharem as portas no mínimo até 30 de março, durante a vigência da fase emergencial do Plano São Paulo. Os relatos são de donos de restaurantes e acabam endossados pelo presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (SinHoRes), Heitor Gonzalez. “Um dia (de espera por medidas) é muito tempo”. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Por conta disso, a Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo, que representa a classe, elaborou uma lista de reivindicações ao Poder Público. Entre os pedidos, estão auxílio para o pagamento da folha salarial, isenção de impostos municipais para os imóveis de comércios fechados e impedimento do corte de água, luz e gás, além de uma linha de financiamento para uma sobrevida aos comerciantes. Dessa lista, Gonzalez entende que a isenção do IPTU seja a mais complexa. Ele ressalta, entretanto, que a reativação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), do Governo Federal, que permite a redução de jornada e salário dos funcionários e suspensão temporária dos contratos de trabalho, seja a medida mais eficiente, tendo em vista o resultado de 2020, com a manutenção de empregos. “Estamos a cada 24h vendo se o Governo Federal divulgará as regras para salários. É o que mais nos aflige. Se o empresário atrasa o aluguel, goste ou não, o dono do imóvel não pode fazer muita coisa. Se deixa de pagar luz ou água, algumas empresas estão segurando o corte. Já os funcionários são nossos colaboradores e tocam uma empresa. Eles precisam comer, pagar aluguel, plano de saúde, comprar remédio”. Pacote paulista Enquanto o BEm não entra em vigor, o sindicalista observa que outros pontos reivindicados foram parcialmente atendidos na última quarta-feira, pelo Governo do Estado, com linhas emergenciais e de crédito voltadas ao setor, redução de impostos sobre a revenda da carne, possibilidade de prorrogar o pagamento de três parcelas ao Banco Desenvolve SP e a suspensão do corte de água e gás até 30 de abril. Gonzalez explica que esse pacote ajuda, mas é preciso mais. “Os créditos federais do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) foram de bilhões de reais e, pelo meu sentimento, das mil empresas que estão mais próximas a mim na Baixada, se vi dez conseguirem pegar dinheiro, foi muito”. O sindicalista acredita que as medidas econômicas paulistas, que colocaram à disposição R\$ 100 milhões em linha emergencial e R\$ 50 milhões em linha de crédito, não serão suficientes. “Não creio que o crédito do Banco Desenvolve SP tenha mais facilidade de chegar às pequenas empresas”. Setor mais afetado Após anúncio das medidas em São Paulo, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, destacou a importância dessas ações. Segundo ele, isso ajuda a reparar os prejuízos do setor. Destacou, entretanto, que outras medidas precisam ser adotadas. “Estamos pagando uma conta alta, sendo um dos setores mais afetados pelas restrições e demais consequências de toda essa crise. Os bares e restaurantes, além de serem os negócios que mais geram emprego no Brasil, movimentam uma cadeia de fornecedores. Estamos falando de muita gente afetada pelos fechamentos”. Dignidade “Gostaria de fazer um apelo aos nossos representantes e à população: ir ao restaurante ou a algum (local de) lazer pode não ser essencial a alguns, mas tira dignidade, teto e pão de quem ali trabalha, e todo trabalhador essencialmente tem o direito de trabalhar”. A frase do empresário santista Rafael Facincani Machado reverbera no setor e dá uma dimensão das dificuldades vividas nos últimos meses. Segundo ele, caso permaneçam mais 20 dias fechados e sem suporte dos governantes, os comerciantes não vão resistir. Sócio da espetaria Rota Santista, Machado revela preocupação com a covid-19, assim como a luta para manter a empresa viva e os empregos em dia. “O medo de perder minha casa e a condição de pagar um plano de saúde eram meus maiores medos. Após um ano de pandemia, fechamentos e reaberturas, meu maior medo segue sendo não ter minha fonte de renda, de passar dificuldades, de falhar com meus 25 funcionários que restaram no Rota Santista (eram 52) ou com os sete que tenho da Dags (lanchonete onde tem sociedade)”. Machado revela que se não fossem as medidas emergenciais, já estaria falido. Entretanto, sem que nada seja feito nessa segunda onda da doença, a possibilidade de encerrar as atividades ronda novamente suas empresas. “Em momento algum da pandemia consegui lucro com os restaurantes. Se não fossem as medidas emergenciais do Governo, como os afastamentos e reduções (de salários e jornadas) e os empréstimos com linhas especiais de créditos, estaríamos falidos. E essa conta (créditos obtidos) é um risco. Não tenho certeza de conseguir pagá-la nos próximos anos”. Desesperador Sócio na lanchonete Dags, Winícios Cabral Pereira conta que a situação é desesperadora, não só pela dificuldade financeira vivida por ele, que revela estar morando de favor, mas por saber que há trabalhadores em situação ainda mais crítica, inclusive em seu estabelecimento. “Ninguém fala do funcionário que começou a trabalhar comigo antes do fechamento total e, agora, não tem o que comer. Vou ter que mandá-lo embora e não sei o que fazer. Ele não tem o que comer, mora na palafita de Santos, a maior do planeta. Tenho outro funcionário que é o único que trabalha na família, o irmão tem esquizofrenia, e também está no período de experiência. Provavelmente terei que dispensá-lo”. Para ele, os governantes “elegeram como vilões” os comerciantes. "Estamos vendo pessoas morrendo aos milhares todos os dias. Até agora, não vi nenhum prefeito, governador ou o presidente falar ‘caramba, erramos na condução da pandemia’. Tiveram um ano para se preparar e não se prepararam”.