(Adobe Stock) As projeções para a indústria brasileira em 2025 indicam tendências importantes relacionadas ao tripé sustentabilidade, inovação e competitividade. No contexto do Polo Industrial de Cubatão, essas perspectivas são marcadas por desafios específicos e oportunidades estratégicas, indica a economista Fernanda Coelho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Cubatão, com seu histórico de superação e resiliência, tem o potencial de se consolidar como um modelo de transformação industrial sustentável e tecnologicamente avançada. A integração entre empresas, governos e universidades será essencial para alcançar essa posição de destaque", afirma. Sustentabilidade e ecoinovações estão no topo desta lista. "Há uma crescente pressão por práticas sustentáveis devido à demanda de investidores, consumidores e governos. No polo de Cubatão, conhecido por sua forte presença no setor químico e siderúrgico, espera-se uma adaptação para atender aos critérios de sustentabilidade, como a redução de emissões de carbono e a implementação de tecnologias verdes", explica. Transformação digital e automação vêm logo depois. A integração de soluções digitais, como inteligência artificial e automação, é essencial para melhorar a produtividade e reduzir custos operacionais. "Cubatão pode aproveitar essas inovações para modernizar seus processos industriais e atrair novos investimentos", completa. A competitividade internacional é parte importante do processo até porque o Brasil, especialmente em polos industriais estratégicos, enfrenta a necessidade de se alinhar às exigências de mercados internacionais, como a adoção de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança, em português). "Isso será decisivo para garantir exportações de produtos com valor agregado", afirma. Exemplos existem e podem ser ampliados A economista Fernanda Coelho projeta as situações no Polo Industrial de Cubatão e traz exemplos. No caso de adaptação sustentável, ela cita a Usiminas, que já investe em tecnologias para capturar e reutilizar CO2 (gás carbônico), buscando atender às metas globais de descarbonização. Espera-se que essas práticas sejam ampliadas até 2025, alinhadas com as exigências internacionais. “Outro exemplo: empresas do setor químico, como a Oxiteno, têm potencial para desenvolver produtos químicos sustentáveis, como biopolímeros e solventes verdes”, completa. Na transição para energia limpa, o Polo Industrial pode expandir o uso de energia renovável, segundo ela. “Projetos solares e de biomassa são viáveis na região, especialmente pela proximidade com centros de pesquisa em São Paulo. Parcerias com instituições de ensino superior e ensino técnico da região, podem fomentar inovações”, indica. No quesito inovação e digitalização, Fernanda lembra que a Vale Fertilizantes pode implementar sistemas de gest<CW4>ão baseados em inteligência artificial para otimizar processos e reduzir custos operacionais, melhorando a competitividade no mercado global. “Programas de capacitação técnica, como os promovidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em parceria com empresas locais, podem preparar a força de trabalho para a indústria 4.0”, completa. Já sobre infraestrutura e logística, o Porto de Santos, com suas margens Direita e Esquerda em Guarujá, é essencial para escoar produtos do Polo, pela sua característica de maior complexo portuário do Hemisfério Sul. “A modernização da infraestrutura ferroviária e rodoviária promete reduzir custos logísticos até 2025”, afirma. Momento bom O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Igor Rocha, acredita que a indústria, de modo geral, está em um momento bom. “Viemos nos últimos 10 anos de uma série de praticamente caindo 70% na década. E a gente deu um ponto de inflexão neste ano bastante interessante para a indústria. Temos que ver se vai perdurar e se vai se sustentar, mas que o ano está melhor, está”, afirma. Ele destacou o setor de bens de capital (de uma indústria para outra) e os bens de consumo duráveis, em especial a linha branca (geladeira, fogão e micro-ondas). “Os programas de governo fizeram com que a massa salarial aumentasse bastante, tanto pelos de transferência de renda quanto pelo reajuste do salário mínimo. Isso ajudou bastante a demanda por esses produtos”, justifica. A indústria automotiva também mereceu destaque, na visão de Rocha.