Após serem procurados por A Tribuna, que no sábado (9) noticiou a ausência de prazo para o início da operação e o custo quase três vezes superior ao previsto para a segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Santos, deputados estaduais que representam a Baixada Santista não têm posição unificada sobre o assunto. Enquanto há parlamentares afirmando que já fizeram cobranças ou que tomarão medidas a respeito da demora e do investimento nas obras, parte deles expõe perspectivas positivas e credita os problemas atuais a dificuldades em gestões anteriores. Como noticiou A Tribuna no sábado (9), o funcionamento do segundo trecho do VLT, que ligará as estações Conselheiro Nébias e Valongo, depende de sistemas de sinalização e equipamentos que custarão R\$ 395,183 milhões adicionais, conforme termo aditivo do contrato entre o Estado e a concessionária BR Mobilidade. Ao todo, a segunda fase custará R\$ 612 milhões. O deputado Caio França (PSB) disse que, em 16 de maio, protocolou requerimento ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) questionando a demora na conclusão dos serviços e os investimentos feitos, sem resposta. “Agora, o Governo anuncia um aditivo de R\$ 395 milhões para concluir a sinalização, revelando falha grave de planejamento”, criticou França. O deputado salientou que o término da segunda fase do VLT é essencial à terceira etapa, até a Área Continental de São Vicente. França (à esquerda): pedido sem resposta. Coimbra (ao centro): cobrança formal. Paulo Corrêa (à direita) não respondeu (Matheus Tagé/Arquivo A Tribuna, Alexsander Ferraz/AT e Sílvio Luiz/AT) A assessoria de comunicação do deputado Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (PL), informou que ele deve acionar o Governo do Estado e o órgão regulador da obra — no caso, a Agência Reguladora de Transporte do Estado (Artesp) — para cobrar oficialmente o andamento das obras e os motivos do atraso. Paulo Mansur (PL), também em nota, citou os transtornos causados pelas obras e criticou o atraso delas, que, “naturalmente, causa revolta, e eu compreendo e compartilho essa indignação”. Mansur, contudo, ponderou que a atual gestão recebeu a obra “com diversos problemas herdados, mas, por meio da Secretaria de Parcerias e Investimentos (...), tem trabalhado para resolver o impasse e viabilizar a operação”. Por isso, diz manter contato com a secretaria e considera que o novo termo aditivo é “um passo importante” para o avanço do VLT. Mansur: problemas herdados. Solange: segurança para operar (Divulgação/Alesp e Alexsander Ferraz/AT) Garantia A deputada Solange Freitas (União) afirma acompanhar as tratativas das segunda e terceira fases do VLT. “Cobramos agilidade no processo, mas também cobramos segurança, para que o sistema só funcione quando houver garantia da segurança das operações.” Os atrasos, segundo Solange, têm a ver com readequações decorrentes de cobranças, de fiscalização do Ministério Público Estadual e da extinção da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), cuja função agora cabe à Artesp. Mas ela pontuou que o segundo trecho do VLT deve começar a operar, até o fim do ano, fora dos horários de pico. E, no ano que vem, com ampliação gradual. “Minha preocupação, e tenho cobrado isso constantemente, também é com a terceira fase do VLT para São Vicente, para que os atrasos da fase dois não prejudiquem o andamento da três.” Até o fechamento desta edição, o deputado Paulo Corrêa Júnior (PSD) não se manifestou sobre o assunto. *Com informações de Victor Barreto