[[legacy_image_3577]] O deputado estadual Caio França (PSB) voltou a questionar o cancelamento de convênios na área da saúde. Em audiência realizada na Comissão da Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o parlamentar levantou a possibilidade de a suspensão de acordos realizados na gestão anterior ter motivação política. Na ocasião, o pessebista citou que convênios em São Vicente, por exemplo, foram cortados por falta de previsão orçamentária para execução. No entanto, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, posteriormente, ativou convênios com outras cidades, incluindo o Hospital dos Estivadores, em Santos. "Eu fui atrás do orçamento, e esses convênios não constam também. Na minha avaliação, uma decisão política de escolher quais convênios serão cancelados e quais serão novos convênios assinados", disse França. O parlamentar também levantou uma dúvida em relação ao Corujão da Saúde. A Baixada Santista é atendida na segunda etapa do programa. No entanto, o deputado atentou para a discrepância no número de exames disponibilizados para cada região. "São 140 mil exames que serão feitos. Dentre esses, em Bauru, são 36,6 mil exames. Em Presidente Prudente, 48,3 mil. Em São José do Rio Preto, são 49.360 exames. E na Baixada Santista, 980 exames. Por que essa discrepância tão grande? Fui me informar com as secretarias municipais. Não é possível que na minha cidade, São Vicente, por exemplo, tenhamos 20 ou 30 exames de endoscopia, mamografia ou ultrassonografia. Os pedidos, somados, dão 25 mil exames. O que daria a média das outras regiões. Falta para o Sistema Cross um pouco mais de sintonia, ou tem outro motivo?", indagou o pessebista. Caio França também perguntou sobre as 15 unidades doAmbulatório Médico de Especialidades (AME), que estão criadas por decreto e ainda em fase de implementação. "O estado levará em consideração todo esse trâmite feito até o momento? Temos unidades como o AME Penápolis, AME Guarulhos, AME Guarujá e AME Diadema. Tem um caso do AME Marília, onde decreto é de 2014. Isso será considerado?", disse o deputado. DRS-IV diz que convênios serão analisados e responsabiliza municípios por vagas no Corujão Em entrevista para A Tribuna On-Line, Paula CovasBorges Calipo, diretora do Departamento Regional de Saúde (DRS-IV), que abrange a Baixada Santista, rebateu os questionamentos feitos por Caio França. Sobre os convênios, a responsável pelo DRS-IV explicou que a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo avalia todas as demandas, mas que priorizou, neste momento, aqueles convênios que são de continuidade. "Buscamos priorizar esses para que não tragam prejuízo ao atendimento à população. Mas, todos estão em análise. O próprio contrato com o [Hospital dos] Estivadores teve o valor revisto. Os outros convênios serão analisados", disse Paula, que não fechou as portas para que esses contratos suspensos sejam reativados. "Dependerá de o atual governo avaliar se a proposta faz sentido. Está em aberto. Mas, no caso de São Vicente, o próprio juiz indeferiu o pedido do prefeito para reativação dos contratos. Tudo está sendo renegociado. O país enfrenta uma crise. É preciso que tenhamos responsabilidade", avaliou a diretora, destacando que todo início de governo tem um cenário difícil. Já em relação ao Corujão da Saúde, a diretora do DRS-IV responsabilizou os municípios pelo baixo número de exames disponíveis, em comparação com outras regiões do estado. Segundo ela, é dever dos gestores da saúde das cidades cadastrar os pacientes na Centralde Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Sistema Cross), utilizado para definir as demandas de cada local. "Dentro do Cross, nós temos uma aba chamada CDR, que é o Cadastro de Demanda por Recurso. Nós fizemos todo um trabalho de orientação, ressaltamos a importância de se fazer esse cadastro, mas alguns municípios não utilizaram a ferramenta", comentou Paula. Segundo ela, o número baixo é referente à demanda represada de 2018 para exames em endoscopia, ultrassonografia e mamografia. A pasta da Saúde disponibilizou equipamentos públicos como o AME, o Hospital Regional de Itanhaém e o Hospital Guilherme Álvaro, além de realizar um chamamento público para empresas privadas com interesse em suprir essas necessidades. Dois locais responderam ao chamado, mas apenas um entregou todos os documentos. "Iremos realizar este trabalho até agosto, quando será feita uma avaliação para pensar em novas estratégias. Importante falar que já conseguimos atender 10% da demanda reprimida. Com isso, conseguimos requalificar a fila de espera", ponderou a diretora. Paula fez um apelo para que os municípios passem a fazer o cadastro de todas as demandas, para que o estado possa abraçar o maior número de demandas em mutirões futuros, que podem incluir outros tipos de exames. Ela ainda fez uma defesa do sistema Cross, acusado de não possuir transparência. "O Cross tem transparência total. Mas, cada um acessa o Cross dentro de um perfil. Ele não é um sistema perfeito. Mas, tem acesso, é possível ver dados, elaborar relatórios. Agora, se um município tem um sistema próprio, eu não consigo enxergar a demanda daquele local. O Cross é o sistema oficial do estado", disse a representante da Saúde na região. AME não é prioritário na região, hoje Por fim, em relação ao AME, Paula Covas ressaltou que ele é um equipamento potente e que já existem três na região, sendo o último inaugurado pelo ex-governador Marcio França (PSB), em São Vicente. Mas, de acordo com a diretora, a região tem entre 20% e 30% de absenteísmo ambulatorial (pacientes que não comparecem a procedimentos previamente agendados, sem notificar a unidade de saúde). O fator descredencia a Baixada Santista a pleitear um novo AME. "Não nos colocamos, neste momento, como prioridade para receber um AME. Talvez, se conseguíssemos esgotar a nossa capacidade, num futuro, poderíamos ter esse pedido", finalizou Paula Covas, descartando a implantação da unidade em Guarujá.