Os casos de dengue apresentam significativa desaceleração na Baixada Santista este mês. Entre 9 e 15 de junho, período reconhecido pelo Estado como semana epidemiológica 24, foram 15 registros de moradores da região infectados. Já na semana epidemiológica 14, de 31 de março a 6 de abril, no pico da doença na Baixada, as nove cidades tiveram 1.938 novos casos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados são do Painel de Monitoramento da Dengue, do Governo de São Paulo. Se, em termos absolutos, os números mostram importante redução na marcha da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, por outro há um alerta feito por especialistas e autoridades: as mudanças climáticas também afetam a dengue, que não pode mais ser considerada sazonal. Dessa forma, quem tinha a esperança de viver dias mais tranquilos em relação à doença por conta do inverno deve rever a expectativa. A previsão de dias mais quentes e uma estação com temperaturas elevadas em relação a anos anteriores corroboram o alerta de que não é possível descuidar da dengue em nenhum mês do ano. “A dengue não é mais sazonal, como antigamente, quando aparecia principalmente no verão. Como há calor o ano todo, devido às mudanças climáticas, podem ter casos em qualquer período do ano”, adverte o secretário de Saúde de Santos, Denis Valejo, que reconhece a queda nas infecções, mas destaca que a saúde pública não considera mais a dengue como doença típica de verão. Para o médico infectologista do Instituto Emílio Ribas e professor do curso de Medicina da Unaerp Guarujá, Leonardo Weissmann, o fator climático precisa ser considerado ao analisar a epidemia de dengue. “Fenômenos causados pelo El Niño, como chuvas intensas e calor excessivo, potencializam esses fatores, causando uma epidemia maior do que o esperado”. Ações práticas Por isso, é importante que as práticas de combate ao Aedes aegypti sejam mantidas de janeiro a dezembro. Em Santos, a Prefeitura informou que são adotadas visitas casa a casa por agentes de endemias, além de mutirões, nebulização, armadilhas contra o mosquito transmissor, monitoramento de pontos estratégicos, acompanhamento epidemiológico e atividades educativas. Moradores também podem fazer denúncias de criadouros à Ouvidoria Municipal pelo telefone 162 ou site. “A população deve ajudar o Poder Público, pois 75% dos focos do mosquito da dengue estão dentro das residências. Por isso, os moradores têm que tirar a água parada de casa, e isso tem que ser feito o ano todo”, ressalta Denis Valejo. Cenário local Segundo Weissmann, a queda no número de casos novos da doença pode ser atribuída a uma série de fatores, como campanhas de conscientização, a eliminação de criadouros do mosquito transmissor da dengue e o engajamento da população nas medidas preventivas. O especialista esclarece que, a cada quatro ou cinco anos, há também uma explosão de um novo sorotipo de dengue, causando novas ondas de infecção. “A dengue dá imunidade permanente por tipo de vírus e nós temos quatro sorotipos. Estávamos com o tipo 1 circulando por muito tempo e as pessoas começaram a ficar imunes. Quando um novo sorotipo surge, como recentemente, as infecções sobem”. Além disso, o infectologista acrescenta que o aumento da cobertura vacinal contra a dengue, em especial na faixa etária entre 10 e 14 anos, que apresenta baixa adesão à vacinação, é fundamental. “A vacinação é uma ferramenta importante para controlar a disseminação da dengue e proteger a população mais vulnerável”, complementa.