[[legacy_image_219170]] Carlos Alberto da Cunha, o Delegado da Cunha (PP), é uma figura expressiva nas redes sociais – e , agora, nas urnas. Com 181,5 mil votos, o policial civil, que atuou por muitos anos na Baixada santista, espera levar a projeção obtida com seu canal no YouTube para Brasília, mas garante que é adepto do diálogo e rejeita o rótulo de futuro integrante da bancada da bala. Com foco na segurança pública, ele promete colocar o esporte a serviço da inclusão social, afastando as crianças da criminalidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A sua votação (181,5 mil votos) é bastante expressiva, ainda mais para quem nunca se candidatou a nada. Isso aumenta a sua responsabilidade?É uma votação muito expressiva e muito espontânea. Porque, se você analisar, houve 15% de renovação verdadeira. A gente tem uma renovação baseada em pessoas que já vêm de outras atividades parlamentares – vereadores e deputados estaduais virando deputados federais. É o reconhecimento do voto, uma responsabilidade automática, mas uma honra acima de tudo. O número lhe surpreendeu?No fundo, fiquei até um pouco chateado. Esperava 500 mil votos. Pode parecer arrogante, mas não é. Tive votos em quase todos os municípios do Estado. Mas, como você é outsider, não tem uma base para poder fazer um trabalho bom nesses lugares. Por mais que você tenha um Fundo Eleitoral, ele é diferente de um mandato de quatro anos (para apresentar ao eleitor). Por isso que falo que a votação que tive foi espontânea mesmo. Minha opção foi a internet. Meu voto veio de lá. Em postagem no dia da eleição, o senhor fez questão de frisar que era 013, em referência ao DDD da Baixada Santista, embora sua votação seja diluída em várias localidades do Estado. Como administrar isso?Só não tive votos em seis municípios do Estado. As maiores votações foram na Capital e na Baixada Santista. Eu tenho três filhos santistas, deixei de residir em Santos há apenas quatro anos, estou todo final de semana aqui, caminho com meu chinelo na mão no domingo de manhã, fui delegado na Baixada Santista a vida inteira, professor universitário... Eu sou daqui. De todas as iniciativas que penso para a Baixada, a mais importante é vinculada ao esporte, que transforma vidas. Sou 013, né? Eu e Chorão (risos). O Congresso ganhou uma participação maior de deputados de direita, mas agora com um presidente eleito ligado à esquerda. Como vai ser esse trabalho no Congresso?O segredo é o bom senso. Independentemente de ser de direita ou de esquerda, quando seu filho vai com o iPhone na farmácia depois das 21 horas e você tem medo dele ser vítima de um crime de roubo, e dele entregar o celular e ainda assim atirarem, é sobre isso. Porque o problema não é apenas ser roubado, mas você entregar o objeto e ainda levar tiro. Aí, você pode ser de esquerda ou direita que não vai ter diferença. Então, a ideia é buscar pontos de entendimento comum, independente da corrente ideológica?Não gosto do termo bancada da bala. Acho pejorativo e exagerado apelo à direita. Deveria ser bancada da proteção. A ideia não é meter bala em ninguém, mas proteger a sociedade. Os deputados que vieram da linha de segurança pública têm que estar preparados para trabalhar com a esquerda e com a direita governando. Eu faço questão de ter um caráter conciliador. O senhor é a favor da redução da maioridade penal?Não é isso que vai resolver. É uma medida paliativa. É muito ruim um garoto de 15 anos estar com uma arma. Ser usado como ‘lagarto’ (termo usado por bandidos para os menores que praticam crimes no lugar dos adultos). Se a gente baixar a maioridade penal para 16 anos, vão pegar garotos de 15 anos, 14 anos. Aí, vamos baixar até quanto? Não vou me posicionar definitivamente, é uma questão a ser estudada. Mas não é isso que resolverá o problema. E o que resolve? A resposta que todos gostam, e fácil de falar, é: educação. O Brasil tinha que ter como política de Estado, não de governo. Vou substituir a palavra educação por esporte de baixo custo. É necessário investir muito no esporte junto à comunidade. Cada um que você colocar num projeto social ligado ao esporte representa um olheiro a menos no tráfico. A ideia, então, é trazer verbas para entidades que já existem?Exatamente. Porque, aí, a gente vem naquela coisa da política brasileira. Um exemplo: Bolsa Família. Ela não é do Lula. E o Auxílio Brasil não é do Bolsonaro. Tem uma origem inglesa de assistencialismo direito, que tinha como objetivo a pessoa começar a se gerir sozinha até o momento em que dispensasse o programa. E nunca teve um nome, um rótulo. Tenho um instituto, o Da Cunha Superação, mas ele não aparece. Qual é o seu plano?Preciso que os participantes tenham noções de disciplina e hierarquia, que tenham o boletim escolar dos alunos – se estiver ruim, não é para ser desligado, mas tem três meses para recuperar. Àqueles que mantiverem média acima de 9, uma cesta básica. Vão colocar comida em casa com 7 anos de idade e qual o custo disso? Baixíssimo. Uma de suas pautas é transformar a Guarda Municipal em polícia, equiparando a outros órgãos agentes de segurança. Como pretende encaminhar isso?Na verdade, as guardas municipais já são polícias há muito tempo, e têm essa função, mas não possuem o poder de prender. A Constituição diz que “todo policial tem o dever de prender, de folga ou não”. A polícia municipal não tem o respaldo técnico, mas já está na função e, às vezes, o município é o dono. As polícias estaduais trabalham para 500 municípios. Quando você traz a responsabilidade para a prefeitura, fica muito direto. É o quintal da casa dele e uma tendência no mundo. Porque é o dono cuidando do quintal. E quanto ao porte de armas? Acredita que haja um excesso nelas atualmente?Sou a favor. A pessoa tem que poder se defender, mas desejo um porte concedido mediante exame bem apurado e treinamento complexo. Muita gente passou a ter porte de armas, e de forma muito rápida. Para ter um porte efetivo, a pessoa precisa estar totalmente preparada. Não pode sacar a arma num crime de trânsito. Atirar em um alvo parado é fácil. O senhor é a favor das câmeras acopladas aos uniformes dos policiais militares?Retirar as câmeras seria um passo atrás. O que critico é que não foi comprado corretamente. Ela não tem off-record. Quando o policial está fora de ação, ela não para de gravar. É o que incomoda os policiais, que estão em um big brother o tempo todo. E quanto à melhoria de estrutura das polícias? O que você colocaria como prioridade?A grande questão é de orçamento e caixa. A gente tem um caixa compartilhado na Secretaria de Segurança Pública. A solução é dividir os orçamentos. Temos que separar os caixas. Para encerrar: como pretende atuar junto aos demais deputados que representam a região?Eu vou procurá-los: o ex-prefeito Paulo Alexandre (PSDB), o ex-prefeito Mourão (MDB), sou fã deles, grandes gestores. Assim como a Rosana (Valle, do PL). Vou conversar com eles para trabalhar em conjunto.