Aproveitar os cerca de 720 metros de desnível da Serra do Mar para produzir energia foi um dos desafios de engenharia que marcaram a história da Usina Henry Borden, em Cubatão. Inaugurado em 10 de outubro de 1926, o complexo completou 100 anos no último sábado, com papel importante no desenvolvimento industrial paulista. “Até a década de 1970, foi uma das maiores usinas do Hemisfério Sul e, mesmo após completar 100 anos, continua tendo um papel importante”, disse o diretor de Operações da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae, que gerencia a usina), Fernando Fernandes. A antiga Usina de Cubatão integrou o Projeto da Serra, concebido pelo engenheiro Asa White Kenney Billings. O plano incluiu formação do Reservatório Billings e a reversão do Rio Pinheiros. Em 1964, a usina recebeu o nome de Henry Borden, ex-dirigente da Light and Power Company Limited, empresa responsável pela execução da obra. No sopé da Serra do Mar, o complexo tem duas casas de força, com 14 grupos geradores e capacidade instalada de 889 megawatts (MW), equivalente ao consumo simultâneo de cerca de 4 milhões de residências. A usina está sendo modernizada. Desde 2019, foram destinados R\$ 338 milhões às instalações, principalmente à atualização das unidades geradoras subterrâneas. Espaço cultural Como parte das comemorações do centenário, a Emae inaugura, em 7 de novembro, o Espaço Cultural Henry Borden. Com 227 metros quadrados, o local terá uma exposição permanente renovada, dedicada à história da usina, à industrialização, à engenharia e ao futuro da energia. Por ora, estará fechado à visitação pública. Concebida pela Fundação Energia e Saneamento, a exposição contará com uma maquete do sistema hidroenergético, um painel digital sobre a reversão do Rio Pinheiros, objetos históricos e depoimentos de trabalhadores, aposentados e moradores. Entre as atrações, haverá uma experiência de realidade virtual que simula o percurso realizado no trolley de manutenção. O espaço também terá recursos de acessibilidade.