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Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Refinaria de Cubatão sofre surto de casos suspeitos de Covid-19, diz sindicato

Entidade afirma que estatal não atende reivindicação da classe e direção “assiste de braços cruzados” o coronavírus se espalhar; 15 trabalhadores de um mesmo turno estão com sintomas suspeitos

A refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) corre o risco de se transformar num dos principais focos da Covid-19 na Baixada Santista. É o que afirma o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (SindiPetro-LP), ao analisar a escalada de casos suspeitos de coronavírus num único grupo do regime de turno da unidade. A entidade cobra adoção de medidas para evitar a transmissão da doença. 

Ao menos 15 técnicos do mesmo grupo de operação passaram a apresentar sintomas característicos da doença, como mal-estar, tosse, febre e dores de cabeça. A situação foi registrada nos últimos três dias, destaca o sindicato. E acende o alerta para ações internas para evitar a proliferação da pandemia na linha de produção da estatal. 

Segundo o SindiPetro-LP, os trabalhadores com os sintomas similares ao coronavírus pediram, há duas semanas, um plano à gerência local para impedir a propagação do vírus na refinaria. Foi nessa ocasião que os primeiros pacientes com suspeita apresentaram sinais de possível contágio. Enquanto eles aguardavam o resultado dos exames clínicos, a gestão local não viu problemas em suspender o afastamento e determinar o retorno ao trabalho, garante a entidade.

O sindicato afirma que os trabalhadores operam no Centro de Controle Integrado (CCI), um setor sem ventilação que concentra 30 empregados. A entidade alega que em vez da estatal garantir o isolamento do trabalhador decidiu transferi-los para o Setor de Transferência e Estocagem (Setrae). Os colaboradores ainda aguardam a comprovação laboratorial de se tratar de Covid-19. 

“Caso atestem positivo, podemos estar diante de uma disseminação descontrolada num grupo com cerca de 70 trabalhadores, que convivem com esposas, maridos, filhos, avós. Em outros grupos, como o 4, e o 2, já surgiram as primeiras confirmações de Covid-19 - algumas inclusive com internados em UTIs. O sinal vermelho está aceso, só a gerência não vê”, informa o sindicato, por nota. 

Ainda conforme a entidade, apesar dos insistentes alertas e reivindicações, da categoria, “a direção da empresa ignorou todas as medidas de prevenção indicadas para combater o novo coronavírus em suas unidades”. 

Segundo relatório da própria empresa, o Sistema Petrobrás tem mais casos confirmados de Covid-19 que o Mato Grosso - estado que possui 3,2 milhões de habitantes e 417 contaminados nos números oficiais. Até o fechamento desta reportagem, na companhia já haviam mais de 1.800 casos suspeitos aguardando resultados de exames e 854 casos confirmados, sendo 496 de terceirizados e 358 de empregados próprios. 

A entidade sindical alerta ter recebido denúncias de descaso da gerência diante da pandemia. “A direção sindical foi até a refinaria averiguar as denúncias, mas teve o seu acesso bloqueado. Tal proibição não faz nenhum sentido, uma vez que a única prerrogativa legal para a empresa tomar essa postura é em período de greve”, informa. 

Procurada, a Petrobras ainda não se posicionou sobre o caso da refinaria de Cubatão. Em nota, afirma ter adotado regras internas para evitar o contágio entre os colaboradores e que realiza testagem em massa de suas equipes. 

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